Viana do Castelo assinala Dia da Mulher para expor desafios da vida laboral 

Viana do Castelo prepara-se para assinalar o Dia Internacional da Mulher com uma programação que combina música, poesia e tribunas públicas. Mas a programação ganha contornos de reivindicação, refletindo problemas estruturais que ainda afetam milhares de mulheres, como desigualdade salarial, dificuldades de conciliação entre trabalho e vida familiar e violência de género.

Micaela Barbosa
11 Fev. 2026 3 mins

O programa local arranca a 2 de março com ações de contacto junto de trabalhadoras dos sectores público e privado e culmina no próprio dia 8, Domingo, com romagem ao cemitério municipal em homenagem a todas as mulheres. À tarde, está prevista concentração na Porta Mexia Galvão com atuações do coro feminino CantoenCanto, da cantora Sofia Simões e do Grupo Folclórico das Lavradeiras da Meadela, além de declamação de poesia.

A 7 de Março, está prevista uma tribuna pública para debater as implicações do novo pacote laboral sobre a vida das mulheres. Segundo Augusto Silva, presidente da União de Sindicatos, “o pacote laboral, que já gerou greve geral e quase 200 mil assinaturas contra, dificulta ainda mais a conciliação entre trabalho e vida pessoal”. “Estas questões continuam na ordem do dia e temos de fazer frente a elas”, acrescentou.

Amélia Barbeitos, delegada do Movimento Democrático de Mulheres em Viana, admitiu que “o maior desejo” é que possam estar na rua, porque “o espaço público permite mais participação e visibilidade”. “Além das atuações confirmadas, ainda estamos a finalizar outras participações, mas a mensagem é que queremos dar voz às mulheres e às suas preocupações”, salientou.

Para Sónia Braga, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, “a tribuna pública será para falar sobre o Dia da Mulher e a situação laboral, mas também sobre a vida real das mulheres que trabalham, muitas vezes acumulando dois empregos ou horários noturnos sem compensação”.

O panorama local espelha problemas nacionais. Segundo dados internacionais, uma em cada três mulheres, no mundo, já sofreu violência física ou sexual, frequentemente por parceiros íntimos. Em Portugal, a diferença salarial média entre homens e mulheres é de 12,6%, e a presença feminina em cargos de liderança ainda é limitada. Sobre a realidade de Viana do Castelo, Augusto Silva, presidente da União de Sindicatos, alertou para dificuldades que afetam diretamente a vida das mulheres no concelho. “Não é uma realidade exclusiva, mas aqui sentem-se com intensidade, nomeadamente, os transportes insuficientes, a falta de creches e os horários de trabalho que dificultam a vida familiar”, referiu, especificando: “Em muitas indústrias, a maioria dos trabalhadores são mulheres, e continuam a enfrentar desigualdade salarial e excesso de horas.”

O evento foi apresentado numa conferência de imprensa na sede da União de Sindicatos de Viana do Castelo, com a presença de representantes sindicais e do Movimento Democrático de Mulheres, incluindo Augusto Silva, Amélia Barbeitos, Sónia Braga e Conceição Líquido, do Sindicato dos Professores.

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