Já não nos chegava toda a pobreza, as doenças, a desigualdade, a falta de condições mínimas de sobrevivência e ainda por cima, um louco, (só um?), resolve brincar às guerras just for fun! Quem não se lembra, os mais velhos, claro, do ataque ao som de A cavalgada das Valquírias de Wagner a uma praia vietnamita por um tenente coronel no filme Apocalipse now? Acabou muito mal. É muito preocupante.
Preocupa-me todos os dias a violência doméstica, predominantemente, sobre mulheres que, muitas vezes, não têm hipótese de fuga, e que algumas pessoas com responsabilidade ignoram ou minimizam por eles próprios a praticar, casos que conhecemos, mas não nos queremos intrometer; a desigualdade de oportunidades de subida a um posto mais elevado numa carreira por se ser mãe ou estar grávida; os salários desiguais para o desempenho da mesma tarefa; a empregada, agora diz-se colaboradora, a quem alguns não pagam os subsídios ou a Segurança Social, embora sejam beneficiários dessas regalias; a descriminação religiosa, de cor e de etnia; a falta de liberdade de em alguns países governados por “iluminados” que se apoiam em textos religiosos para subjugarem as mulheres, etc, etc, etc. Tudo razões maiores para que cada mulher, e cada homem, se empenhem e lutem para que estes abusos terminem. Problemas gravíssimos, nenhum dos quais gostaria de ser vítima.
E o que fazemos? O que é que o marketing, as redes sociais, os influencers nos recomendam como reflexão e solução? – O DIA DA MULHER! Dia 8 de Março, dia de toda a luta, de toda a boa vontade, de desejo de mudar a situação! E o que se pode fazer? Muito, muito simples – arranjam-se muito bem, vestem os lindos “trapinhos” e vai-se jantar fora, só mulheres, sem homens. A verdadeira luta! A verdadeira emancipação! Fotografam-se para “postar”, para mostrar o quanto se é solidário com quem é ostracizado, humilhado, descriminado. Compõem-se poses, sorrisos, para a selfie, ensaia-se o melhor ângulo, a fumar. Vai-se aparecer nas redes sociais. Estavam lá, preocupam-se! Depois do jantar libertário e libertador, ainda sem elementos masculinos, vão dançar para uma discoteca. E se tiver um stripper, então é que a luta atinge o auge!
Fizeram a sua obrigação. Comemoraram o DIA DA MULHER. Lutaram por quem não tem voz? Fizeram o melhor que sabiam e podiam? Não, não fizeram. Desculpem, mas fizeram uma figura ridícula, isso, sim.
Já se tinham emancipado, andando na rua com uma indumentária carnavalesca, aos gritinhos, com as mesmas poses, os mesmos sorrisos, na despedida de solteira. De novo, ridícula, na maior parte das vezes.
Mas tudo já vem de trás. Superando tudo o que já foi escrito, jovens universitários permitem ser humilhados, ridicularizados e enxovalhados por uns machos e umas moçoilas que, por serem mais velhos, pouco criativos e muito sádicos, brincam às praxes que continuam a ser permitidas pelas autoridades académicas e policiais… Integração! Dura todo um ano. Ridículo, muito ridículo e triste. Uma grande admiração por quem se recusa a pactuar.
Se andarmos um pouco mais para trás, já temos “finalistas” de bengala e cartola no Pré-escolar, prontas para comemorar o DIA DA MULHER, anos mais tarde.
Estou mesmo a ficar velha e ultrapassada, mas com noção do ridículo.
SUGESTÕES
Ver – (Relembrar) A exposição O mundo numa coleção, no Museu de Artes Decorativas, até 12 de Abril
Ler – A arte de não ter sempre razão, Martin Desrosiers
Assistir – Ler em Viana, festa do livro e das artes, de 18 a 26 de Abril
(Escrito de acordo com a ortografia antiga)**
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