Roteiro Naval Carbono Zero impulsiona descarbonização e ampliação do porto de Viana

Viana do Castelo acolheu a apresentação do Roteiro Naval Carbono Zero (RNCZ), um plano estratégico que define metas de descarbonização para o setor da construção, reparação e manutenção naval (CRMN) até 2050. O evento reuniu representantes do sector, autoridades, académicos e clusters europeus, com anúncios importantes sobre investimento em infraestruturas, inovação tecnológica e apoios financeiros.

Notícias de Viana
16 Dez. 2025 4 mins

O RNCZ, desenvolvido pelo Fórum Oceano em parceria com a Confederação Empresarial do Alto Minho (Ceval), apresenta um conjunto de medidas para reduzir significativamente as emissões do sector naval, promovendo eletrificação, eficiência energética, combustíveis alternativos e digitalização.

Segundo João Neves, presidente executivo da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), o roteiro “mostra que há uma visão clara sobre o que é necessário fazer até 2050”. “É um passo decisivo, porque oferece uma ferramenta concreta, estruturada e orientada para resultados. Às vezes, costumamos dizer que é melhor ter um mau plano que não ter plano nenhum”, sublinhou durante a sessão.

O responsável reforçou que a APDL acredita que a descarbonização não é apenas um desafio, mas também “uma oportunidade estratégica”, e que o porto de Viana do Castelo possui condições únicas para ser parte ativa dessa transformação.

No mesmo evento, João Neves anunciou que a APDL está a avaliar um estudo de ampliação do porto, que permitirá à indústria naval e a empresas de energias renováveis, como a CorPower Ocean, desenvolverem a sua atividade com menor pegada de carbono. “Temos em avaliação de impacte ambiental um estudo de ampliação do porto que visa criar condições para que a indústria, naval ou relacionada, conte com a produção de energias renováveis e, a partir do mar, possa desenvolver a sua atividade”, explicou, apontando, ainda, o exemplo dos estaleiros navais da WestSea, atualmente em expansão, como demonstração do crescimento do sector e dos interesses nacional e internacional na indústria naval em Viana do Castelo.

O roteiro inclui apoios financeiros significativos. O Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, anunciou que estão a ser executados 13,5 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a transição energética da frota mercante nacional, distribuídos por sete projetos. Estão, ainda, disponíveis 4,7 milhões de euros para adaptação de embarcações, visando navios com nível nulo de emissão de carbono. “Portugal está a liderar e a investir para acelerar esta transição em várias frentes. Esta é a era dos navios de zero emissões”, afirmou, acrescentando que o país dispõe de 25 milhões de euros adicionais para apoiar projetos de inovação, descarbonização e digitalização nos sectores marítimo e da pesca.

O RNCZ identifica, também, obstáculos estruturais, como a falta de mão-de-obra qualificada, o envelhecimento do sector (entre 30 e 40% dos trabalhadores têm mais de 50 anos), a burocracia, as limitações de infraestrutura e o financiamento bancário.

Para o secretário-geral do Fórum Oceano, Rúben Eiras, “a descarbonização representa um enorme desafio, mas também abre novas oportunidades de negócio”. Já Luís Ceia, presidente da Ceval, acrescentou que é necessário equilibrar competitividade e sustentabilidade, apelando a “agilização, simplificação e apoio às PME no acesso aos fundos destinados à transição energética”.

O evento contou, ainda, com mesas-redondas nacionais e internacionais, que reuniram indústria, autoridades, academia e clusters europeus. O RNCZ resultou de cerca de ano e meio de análises, workshops e sessões de auscultação, envolvendo múltiplos agentes do sector. “Há um caminho longo a percorrer, mas estes são os primeiros passos que estamos todos a dar, para criar condições de descarbonização e inovação no sector naval português”, concluiu João Neves.

Salvador Malheiro reforçou que a descarbonização deve ser tratada de forma integrada, em articulação com políticas portuárias, transporte marítimo e ordenamento do mar, sublinhando que “o mar tem características de unir territórios, mas também de unir governos”.

c/ Lusa

Tags Economia

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