A futura ponte pedonal e ciclável sobre o rio Lima, anunciada agora pela Câmara Municipal de Viana do Castelo como tendo já proposta vencedora, resulta de um processo que atravessou vários ciclos eleitorais e diferentes protagonistas políticos. A nova travessia, a implantar a jusante da centenária Ponte Eiffel, surge hoje como um projeto assumido pelo executivo liderado por Luís Nobre, mas a sua génese remonta, pelo menos, a 2017.
Foi nesse ano que, no âmbito das autárquicas, Cláudia Marinho, então candidata da CDU à presidência da Câmara, incluiu no seu programa “a construção de uma travessia pedonal sobre o Rio Lima, a jusante da Ponte Eiffel, que se insira no prolongamento da ligação do percurso pedestre entre os concelhos de Caminha e Esposende”. A proposta surgia integrada num pacote mais vasto de mobilidade suave, que previa “a criação de ciclovias ou de vias destinadas e adaptadas para o uso da bicicleta, ligando o centro da cidade às suas áreas mais urbanas”.

Quatro anos depois, nas autárquicas de 2021, a mesma candidata voltou a defender publicamente a medida. Recordando que vinha a sustentar essa solução “há vários anos”, Cláudia Marinho propôs mesmo a recuperação simbólica da antiga travessia de madeira construída em 1818, junto à capela de São Bento, em Darque. “Sabemos que é possível fazer esta ponte pedonal e ciclável. Sabemos que existem fundos comunitários disponíveis para podermos avançar com esta ideia e que não traria grandes custos para o município”, afirmou então, garantindo que seria uma das medidas prioritárias caso a CDU vencesse as eleições.
No mesmo ato eleitoral de 2021, também Luís Nobre incluiu no seu programa a intenção de “lançar um concurso internacional de ideias para desenvolvimento de projeto de ligação pedonal entre as duas margens do Lima nos primeiros 100 dias do mandato”. Apresentado no âmbito dos eixos estratégicos da candidatura “Acreditar no Futuro”, o compromisso integrava uma estratégia mais ampla de mobilidade sustentável e consolidação da rede de ecovias e ciclovias do concelho.
Já enquanto presidente da autarquia, Luís Nobre avançou com a concretização desse compromisso. Em março de 2022, a Câmara abriu um concurso internacional de ideias para a construção da ponte pedonal e ciclável sobre o rio Lima. Em comunicado, o município explicou que a nova travessia “pretende reforçar a mobilidade sustentável no concelho e dar continuidade à rede de ciclovias e ecovias, que já conta com 45 quilómetros”. A autarquia sublinhava tratar-se de um procedimento para “escolher a melhor solução” para unir as duas margens do rio.
À data, era recordado que a única possibilidade de atravessamento pedonal ou ciclável do Lima, na zona urbana, continuava a ser feita pela Ponte Eiffel, estrutura ferroviária e rodoviária que concentra tráfego automóvel, comboios, peões e bicicletas num mesmo tabuleiro.
O tema voltou a integrar o debate político nas autárquicas de 2025. No programa “Continuar a Acreditar nos Vianenses”, Luís Nobre incluiu novamente a “concretização da travessia pedonal e ciclável sobre o Rio Lima, já prevista”, enquadrando-a no eixo dedicado à mobilidade sustentável. “Este programa resulta de um processo participado, que contou com os contributos de centenas de cidadãos e associações”, afirmou o candidato socialista, defendendo uma estratégia de continuidade.
No âmbito do concurso de conceção limitado por prévia qualificação, a autarquia anunciou que foram selecionados onze concorrentes, tendo sido apresentadas oito propostas em anonimato, das quais quatro passaram à fase final de avaliação.
A proposta vencedora apresenta uma diretriz em “S”, afastando-se, ao longo de grande parte do seu desenvolvimento, da Ponte Eiffel. Essa opção procura evitar uma leitura paralela ou concorrencial com a estrutura metálica do século XIX, criando antes uma identidade própria e contemporânea na frente ribeirinha.

O traçado curvo é apontado pelo município como “uma mais-valia da solução, não só pelo afastamento à ponte existente, como pelo efeito que provoca na circulação pedonal”. Ao introduzir uma ligeira inflexão no percurso, a travessia deixa de ser apenas funcional e passa a assumir também uma dimensão experiencial, permitindo diferentes enquadramentos visuais sobre o rio, a cidade e a envolvente natural.
Em termos estruturais, a solução prevê vãos com cerca de 60 metros e uma superestrutura do tipo ponte de tirantes multi-suspensão, com um único plano de tirantes e um único tirante por vão. Este modelo tende a conferir leveza visual ao conjunto, reduzindo o número de elementos verticais e permitindo maior transparência na relação com o rio.
A ponte terá um desenvolvimento de 570 metros sobre o Lima, em curva e em “S”, prolongando-se por rampas de acesso com 60 metros no lado Norte e 225 metros no lado Sul, elevando o comprimento total para cerca de 855 metros. As rampas asseguram acessibilidade universal, permitindo a utilização confortável por peões, ciclistas e pessoas com mobilidade condicionada.
A Câmara sustenta que a nova infraestrutura reforçará a política de promoção dos chamados “modos suaves” de circulação, aumentará a segurança rodoviária ao retirar peões e bicicletas do tabuleiro da Ponte Eiffel e potenciará o fluxo turístico, incluindo os peregrinos do Caminho Português da Costa.
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