Janeiro de 2026 ficou marcado por um duplo retrato do sistema energético português: o maior consumo de eletricidade de sempre e, em simultâneo, a manutenção de Portugal entre os países europeus onde mais pessoas têm dificuldade em aquecer adequadamente a casa.
Segundo dados divulgados pela Redes Energéticas Nacionais (REN), o consumo de eletricidade atingiu 5,4 terawatts-hora (TWh) em janeiro, um aumento de 8,1% face ao mesmo mês de 2025, estabelecendo um novo máximo histórico no sistema elétrico nacional. O anterior recorde mensal tinha sido registado precisamente em janeiro do ano passado, com 5,0 TWh.
Ao longo do mês foram sucessivamente batidos máximos diários de consumo, com o pico a ocorrer a 23 de janeiro, num contexto marcado por temperaturas baixas, mau tempo e maior necessidade de aquecimento. A passagem da depressão Kristin trouxe vento, chuva, neve e forte agitação marítima, influenciando tanto o consumo como a produção de energia.
Do lado da produção, as condições meteorológicas foram “particularmente favoráveis” às energias renováveis, sobretudo à hidroelétrica e à eólica, que registaram índices de produtibilidade muito acima da média histórica. No conjunto do mês, 80% da eletricidade consumida em Portugal teve origem renovável, com a hídrica a representar 37% e a eólica 35%.
A produção a gás natural respondeu por 14% do consumo, enquanto os restantes 6% foram assegurados através de importações. No mercado do gás, janeiro registou também o consumo mensal mais elevado desde julho de 2023, mantendo-se o terminal de GNL de Sines como principal fonte de abastecimento.
Apesar do aumento do consumo elétrico, Portugal continua entre os países da União Europeia mais afetados pela pobreza energética, segundo dados divulgados pelo Eurostat. Em 2024, 14,5% da população portuguesa declarou não conseguir aquecer adequadamente a casa, colocando o país como o quarto pior da UE, acima da média europeia de 9,2%.
O indicador melhorou face a 2023, quando a percentagem era de 20,8%, mas Portugal mantém-se num grupo onde surgem também a Bulgária, Grécia, Lituânia e Espanha. No extremo oposto estão países como a Finlândia, Polónia e Eslovénia, com valores inferiores a 4%.
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