O Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) concluiu o projeto PEGADAS que, ao longo de três anos, transformou o Caminho de Santiago num “laboratório de competências” para jovens entre os 18 e os 29 anos. A iniciativa, cofinanciada pelo Interreg VI-A Espanha-Portugal 2021-2027, envolveu cerca de 250 participantes entre novembro de 2023 e fevereiro de 2026, combinando formação presencial, experiências outdoor e aprendizagem online bilingue.
O programa foi inicialmente pensado para jovens que não estudavam nem trabalhavam, mas acabou por ser alargado a estudantes do ensino superior, aumentando a diversidade de perfis.
Segundo dados do IPVC, “mais de 76% dos participantes” encontram-se atualmente empregados ou a estudar, enquanto “cerca de um quarto” estavam desempregados no momento da inscrição.
O PEGADAS assenta em quatro pilares — Digitalização, Empreendedorismo, Sustentabilidade e Pensamento Crítico — e propõe que “o território deixe de ser apenas cenário”, transformando-se num contexto pedagógico real, com desafios concretos e trabalho colaborativo.
Durante as nove expedições, realizadas em território português e espanhol, os participantes tiveram oportunidade de experienciar o Caminho de Santiago de forma prática, documentando aprendizagens e vivências. “A forte colaboração entre os dois lados da fronteira demonstrou a viabilidade do modelo, apesar dos desafios logísticos que foram enormes”, afirmou Jorge Garcia, coordenador do projeto em Portugal e docente do IPVC.
Já Ana Paula Vale, vice-presidente do IPVC, destacou que o PEGADAS “foi muito mais do que um conjunto de atividades”. “É um modelo inovador e híbrido de aprendizagem, com um propósito claro: contribuir para a empregabilidade jovem”, acrescentou.
Entre os participantes, Maria Carolina Silva contou que a experiência “mudou completamente” a sua perspetiva sobre o Caminho, enquanto Ekaterina Minenko e Artem Kolesmikov, dois estudantes russos, consideraram a iniciativa uma oportunidade de conhecer melhor Portugal e desenvolver competências linguísticas e profissionais. Estudantes como Lara Lopes e Francisca Oliveira sublinharam o caráter desafiante e a riqueza de aprender em contexto real.
Durante a sessão de encerramento, Carmen López, docente e investigadora do IPVC, apontou como oportunidades futuras: reforçar a aposta na digitalização e nos negócios associados ao Caminho, diversificar para reduzir a sazonalidade e alargar o modelo a outros itinerários culturais europeus. Com o encerramento formal do projeto, permanecem disponíveis materiais, recomendações políticas e ferramentas desenvolvidas, consolidando um modelo de aprendizagem experiencial transfronteiriça que poderá ser replicado noutros territórios.
O PEGADAS sucede a uma primeira edição de 2023, quando o programa começou a oferecer expedições gratuitas, combinando formação online com experiências práticas, com o objetivo de capacitar jovens e aumentar a sua empregabilidade.
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