Onde estamos?!

Mónia Grácio
27 Fev. 2026 3 mins
Mónica Grácio

Olho e escuto as pessoas que me rodeiam e olho-me e escuto-me a mim. Percebo que apesar de partilharmos o mesmo espaço físico, algumas pessoas estão num “sítio” interior diferente do meu.

Há um território invisível onde habitamos, onde mora a nossa atenção, há quem tenha o foco no passado, outros no presente, no futuro e os que encontram o equilíbrio entre os três.

Há quem viva no passado. O corpo avança no tempo — o relógio não pára, os dias sucedem-se — mas a mente permanece num instante que já aconteceu. Uma dor, uma perda, uma injustiça, uma palavra que marcou. Existem acontecimentos que mudam a vida para sempre. Não se pode negar o peso de certas feridas; algumas reconfiguram-nos, alteram sonhos, transformam caminhos. Há dores que, infelizmente, sabemos que são para sempre.
O passado deve ser memória e aprendizagem, não morada permanente. O tempo não pára, o mundo à nossa volta também não espera por ninguém e importa que a nossa alma aprenda a caminhar com ele. Evoluir não significa esquecer; significa integrar, amadurecer, transformar feridas e dores em sabedoria.

Por outro lado, há quem viva projetado no futuro, com o coração inquieto pelo amanhã. Antecipam perdas que ainda não aconteceram, problemas que talvez nunca aconteçam, cenários que nascem do medo. Vivem numa permanente expectativa, como se a vida fosse sempre algo que está para começar, desperdiçando quase sempre o que acontece no presente.

O presente é o único tempo que nos é dado. O passado já cumpriu o seu papel e “o futuro a Deus pertence”.

Para quem tem fé há uma serenidade profunda em reconhecer que o futuro a Deus pertence. Confiar não é desresponsabilizar-se; é fazer o que nos compete hoje e entregar o que não controlamos Àquele que vê além do nosso horizonte. A fé não elimina as incertezas, mas acalma o coração. Recorda-nos que não caminhamos sozinhos, que existe um propósito maior mesmo quando não o compreendemos.

Vivemos melhor quando encontramos o equilíbrio entre o passado, presente e futuro!
Reflitamos onde está o nosso foco? Em que “sítio” interior estamos a viver?

Deixo como sugestão entregarmos a Deus o passado que nos marcou e o futuro que nos inquieta, vivendo com gratidão o presente na certeza que nunca estamos sozinhos!

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