Para mim, é essencial que as crianças conheçam e tenham formação em Património. Só conhecendo, é possível valorizar e preservar. Sendo esta a minha convicção, sempre fiz questão que os meus filhos visitassem monumentos, museus e exposições.
Devo confessar que não gosto de passar o meu tempo livre em museus e monumentos. E há uma explicação: é este o meu trabalho. Visitar igrejas, palácios, coleções, reservas. Passo a semana nisto, e prefiro ocupar o meu tempo livre com atividades de ar livre e de natureza. Mas pela educação dos nossos filhos, fazemos tudo!
Obviamente, os museus de Viana do Castelo sempre foram um ponto de interesse e visita: Museu do Traje, Museu de Artes Decorativas e Casa dos Nichos, foram e são locais de visita obrigatória. Mas em Viana do Castelo há mais de 20 espaços museológicos. Uma oferta diversificada que fez com que eu, ingenuamente, considerasse poder visitar todos. Impossível. Destes, nem metade estão abertos ao público, sendo apenas possível a visita por marcação e, em muitos deles, apenas por grupos. Ou seja, eu, apesar de ter uma família considerada numerosa, nunca consegui juntar um grupo suficientemente grande para visitar alguns destes núcleos museológicos do concelho.
Compreendo perfeitamente a dificuldade em manter estes núcleos abertos: falta de recursos humanos e custos avultados. Mas penso que haverá alternativas. Uma sugestão: um dia e hora fixa semanal (de preferência ao fim de semana), assegurados dentro do horário de atendimento das Juntas de Freguesia, por exemplo.
Mas adiante. O tema que efetivamente me trás para este artigo é a notícia divulgada no ano passado – e de que só agora tenho oportunidade de escrever – da abertura do Museu do Eixo Atlântico: o Centro Interpretativo do Eixo Atlântico.
São ótimas notícias para a cidade! Ficará disponível uma nova oferta cultural, com relevância ao nível da região Noroeste Peninsular, com ótima localização, aproveitando e recuperando uma estrutura já existente e que permitirá a Viana do Castelo investir cerca de 1 milhão de euros em Cultura. Será essencial para o sucesso deste espaço, a divulgação constante das iniciativas e dos conteúdos por toda a região Norte e, sobretudo, em toda a região da Galiza. É importante que toda a comunidade do Eixo Atlântico sinta este Museu como parte de si própria, como parte da cultura da Eurorregião Galiza-Norte. Não podemos criar um museu apenas para os Vianenses ou apenas para as escolas. Se vamos investir e abrir um novo museu, temos de almejar que este espaço traga a Viana, só por si, milhares de visitantes.
Por último, e aproveitando o enfoque no tema dos Museus, uma pequena achega para um dos assuntos que assiduamente é notícia em Viana do Castelo: o Museu dos Beatles. Como todos sabemos, Viana do Castelo possui uma extraordinária coleção de objetos relacionados com os Beatles. São mais de 10 mil peças, algumas raras e outras únicas, que atualmente estão guardadas num pequeno “museu” privado.
Parte desta coleção esteve já em exposição, de forma temporária, no Museu do Traje, tendo recebido mais de 20 mil visitantes, em apenas 2 meses. À data, o seu proprietário afirmou-se disponível para “ceder gratuitamente o seu espólio, por tempo indeterminado”, caso fosse criado em Viana do Castelo um “Museu dos Beatles”. Uma vontade que, até agora, não foi acolhida pela cidade.
Mas que relação existe afinal, entre este acervo e a cultura da nossa região? Nenhuma. E qual seria o impacto deste Museu, na dinâmica cultural e turística da cidade? Enorme. Se eu estou de acordo que sejam criadas todas as condições, para tornar público este acervo? Sem dúvida.
Uma cidade como Viana do Castelo tem de agregar esforços para que este tipo de projeto se desenvolva e se implemente. Estou certo que projetos como este permitiriam valorizar e promover até os restantes núcleos expositivos, funcionando em rede e possibilitando que espaços, agora fechados, possam estar permanentemente abertos. Estou certo que esta é a vontade da grande maioria dos Vianenses. Sem mais delongas, ficam estas três dicas!
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