A Guarda Nacional Republicana (GNR) alertou para o aumento da sinistralidade envolvendo veículos de micromobilidade, sobretudo trotinetes elétricas, sublinhando que, “nos últimos sete anos, foram registados mais de 1.900 acidentes” e “dez vítimas mortais em todo o país”.
De acordo com os dados divulgados pela autoridade, a evolução da sinistralidade tem sido particularmente acentuada desde 2023. Até 2021, o número anual de acidentes mantinha-se relativamente estável, com menos de 25 ocorrências por ano. O cenário alterou-se significativamente nos anos seguintes. Em 2023, registaram-se 547 acidentes e, em 2024, atingiu-se o valor mais elevado da série, com 706 ocorrências.
Apesar de se verificar uma ligeira redução em 2025, os números continuam elevados. Só em 2026, até 28 de fevereiro, foram já contabilizados 72 acidentes.
No total, entre 2019 e o início de 2026, a GNR registou 10 vítimas mortais, 88 feridos graves e 1.442 feridos leves em acidentes envolvendo trotinetes elétricas ou dispositivos de circulação semelhantes.
No distrito de Viana do Castelo, os dados apontam para 40 acidentes registados nos últimos sete anos. Destes, resultaram uma vítima mortal, dois feridos graves e 32 feridos leves.
A única morte ocorreu em 2023, ano em que o distrito registou também o maior número de acidentes, 12 ocorrências, com dois feridos graves e sete feridos leves.
Em 2024, foram contabilizados 13 acidentes, todos com feridos leves (15 no total), enquanto, em 2025, o número desceu para 11 ocorrências. Já em 2026, até ao final de fevereiro, foram registados dois acidentes, ambos com feridos leves.
Apesar de números inferiores aos registados nos grandes centros urbanos, a GNR sublinha que “a evolução demonstra a crescente presença destes veículos também em distritos com menor densidade populacional”.
A análise territorial mostra que os distritos de Aveiro e Faro concentram o maior volume de acidentes e de feridos, refletindo a forte utilização de trotinetes em zonas urbanas e turísticas.
Por outro lado, é o distrito de Setúbal que regista o maior número de vítimas mortais (três) no período analisado. Já Santarém, destaca-se pelo número de feridos graves, com 14 casos.
Segundo a GNR, as principais causas para o aumento da sinistralidade estão associadas à “circulação em locais indevidos”, nomeadamente nos passeios, ao “desrespeito pela sinalização rodoviária” e à “ausência de equipamentos de proteção”.
A força de segurança recorda ainda que, para efeitos legais, as trotinetes elétricas são equiparadas a velocípedes no Código da Estrada, pelo que os utilizadores devem cumprir as mesmas regras de circulação.
Entre as recomendações deixadas pela autoridade estão a utilização de capacete, o uso de vestuário retrorrefletor, a circulação em ciclovias ou na faixa de rodagem, “nunca nos passeios”, e o respeito pelos limites legais de álcool.
A GNR garante que continuará a reforçar ações de fiscalização e sensibilização, defendendo que a expansão da mobilidade suave deve ocorrer “de forma segura e harmoniosa para todos os utentes da via”.
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