Investigadores testam na ULSAM tecnologia que protege hospitais de ataques digitais

Investigadores do INESC TEC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência, em parceria com a empresa de software InvisibleLab, vão testar na Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) uma solução destinada a proteger hospitais contra ataques informáticos do tipo ransomware e a recuperar dados críticos após incidentes.

Micaela Barbosa
31 Mar. 2026 2 mins

O projeto Rescueware, com duração prevista de três anos e cofinanciado pela União Europeia através do Programa Regional NORTE 2030, visa “garantir a continuidade operacional dos serviços hospitalares, proteger dados clínicos sensíveis e reduzir o risco de paralisação de sistemas”.

A ULSAM, que integra os hospitais de Viana do Castelo e Ponte de Lima, atua como unidade piloto do projeto. “Num ambiente hospitalar, onde os dados são atualizados continuamente e suportam decisões clínicas em tempo real, a indisponibilidade dos sistemas pode comprometer diretamente os cuidados”, explica Francisco Cruz, fundador da InvisibleLab, acrescentando: “Garantir uma recuperação rápida e integral da informação é fundamental para proteger doentes e serviços.”

O ransomware é um software malicioso que cifra ficheiros ou bloqueia o acesso a sistemas, exigindo resgates financeiros. 

O setor da saúde tornou-se particularmente vulnerável devido à dependência de infraestruturas digitais, muitas vezes antigas, para registos clínicos, prescrição, diagnóstico e coordenação de cuidados.

Relatórios recentes mostram que os hospitais continuam a ser um alvo prioritário. Um levantamento internacional registou “445 ataques de ransomware” a prestadores de cuidados de saúde em 2025, afetando “mais de 10 milhões de registos de dados”. 

O estudo anual State of Ransomware in Healthcare 2025, da empresa de cibersegurança Sophos, conclui que o ransomware continua a ser “uma ameaça persistente”, com casos de extorsão sem cifragem de dados a triplicar desde 2023. 

Outro levantamento revela que “19 % das instituições de saúde sofreram interrupções nos cuidados devido a ataques informáticos”, destacando os impactes diretos na assistência aos pacientes. 

O Rescueware combina detecção precoce de ataques com mecanismos de recuperação de dados, reduzindo a necessidade de pagamento de resgates e minimizando impactos financeiros e operacionais. 

A iniciativa inclui ainda formação em ciberhigiene para profissionais de saúde, reforçando a resiliência digital das equipas hospitalares. “Participar neste projeto reforça o compromisso da ULSAM com a proteção de sistemas críticos e a continuidade dos serviços de saúde”, afirma Orlando Dantas, responsável de cibersegurança da unidade, considerando que “é essencial antecipar riscos e testar soluções que permitam recuperar rapidamente informação sensível, garantindo segurança aos doentes.”

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