O número de incêndios rurais em Portugal aumentou cerca de 31% em 2025, passando de 6.304 para 8.278 ocorrências, segundo dados divulgados pela Guarda Nacional Republicana (GNR), que assinalou o Dia da Árvore e da Floresta com um reforço do apelo à prevenção.
Além do aumento das ocorrências, a GNR destaca também uma subida significativa no número de alertas e na capacidade de resposta inicial. Em 2025, foram registados 12.113 alertas, mais 35% do que no ano anterior, e realizadas 4.882 ações de ataque inicial, um crescimento de cerca de 34% face a 2024. “A proteção da floresta passa igualmente pela sua defesa ativa contra os incêndios”, sublinha a GNR, apontando para a importância da deteção e do alerta precoce.
Desde o início de 2026 e até 19 de março, a autoridade já deteve 10 pessoas pelo crime de incêndio florestal, no âmbito de ações de vigilância e investigação.
A GNR alerta ainda para a persistência de comportamentos de risco e para falhas na gestão do território. Em cerca de 40% dos casos sinalizados, os proprietários não procederam à limpeza de terrenos, apesar das notificações. “Uma parte considerável dos incêndios rurais continua a resultar de comportamentos negligentes ou de práticas inadequadas”, refere a força de segurança.
Apesar de o comunicado apresentar uma visão nacional, os dados territoriais revelam diferenças significativas e colocam o distrito de Viana do Castelo entre os mais afetados em 2025.
Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), até ao final de julho, Viana do Castelo foi o distrito com maior área ardida no país, concentrando cerca de 7.300 hectares, o equivalente a aproximadamente 22% do total nacional nesse período.
No conjunto do Alto Minho, a região liderou igualmente a área ardida durante parte do verão, num ano marcado por incêndios de grande dimensão.
Ainda que o número de ocorrências na região siga a tendência nacional, com muitos fogos de pequena dimensão, foram os incêndios de maior escala que determinaram o impacto final.
A nível nacional, 2025 ficou também marcado pela concentração da área ardida em grandes ocorrências, responsáveis pela esmagadora maioria da destruição florestal.
No comunicado, a GNR reforça que a prevenção continua a ser determinante, apelando à adoção de comportamentos responsáveis e ao cumprimento das regras de gestão de combustível. “Importa reforçar a consciencialização e a responsabilidade individual”, defende a autoridade.
A força de segurança sublinha ainda que uma parte significativa dos incêndios continua associada a práticas como queimadas e queimas mal executadas, num contexto em que a floresta portuguesa mantém um papel estratégico ambiental, económico e social.
Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.
Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.