A famosa frase da rainha má da história da Branca de Neve demonstra a sua obsessão pela beleza, a beleza que reflete no espelho mas que é apenas uma fração do que somos.
O espelho mostra-nos formas, traços, contornos mas não revela a nossa verdadeira essência.
Vivemos numa época em que a beleza física é muito valorizada e cada vez mais moldada por procedimentos estéticos. Considero legítimo o desejo que cada um tem em sentir-se bem com a sua própria imagem, o cuidado com o corpo é claramente uma forma de amor-próprio. O problema existe quando a atenção se concentra exclusivamente no exterior, correndo assim o risco de se descurar a beleza que não se vê, mas que se pode sentir profundamente, refiro-me à beleza da alma e do coração.
A beleza interior manifesta-se nas atitudes, na empatia, na capacidade de ouvir, de perdoar e de cuidar do outro. É ela que sustenta relações verdadeiras e dá sentido às ações quotidianas. Um rosto pode encantar por instantes, mas é o caráter que permanece na memória. Um corpo pode impressionar, mas é a bondade que transforma e deixa marcas.
No meu dia-a-dia penso muitos vezes a que “procedimentos” estamos a recorrer para tornar os nossos corações mais bonitos? Que tempo dedicamos a cultivar valores como a humildade, a generosidade e o respeito?
Quantas vezes elogiamos um rosto bonito, um corpo perfeito? E quantas vezes paramos para elogiar um gesto solidário, a empatia, o amor, um coração bonito?
A beleza da alma não precisa de espelhos, filtros, ela revela-se naturalmente nas pequenas escolhas diárias.
No fim, a beleza mais profunda é aquela que não envelhece, não se perde no tempo, a beleza de um coração bonito que transforma tudo o que toca!
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