Diabetes em Portugal continua a subir e pode comprometer finanças do SNS, alertam especialistas

O perigo de que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) venha a “não ter dinheiro para comprar medicamentos para os diabéticos” nos próximos dois a três anos, foi reforçado por especialistas de saúde durante uma palestra em Viana do Castelo, que vincou a necessidade urgente de políticas públicas que promovam o exercício físico como meio de prevenção.

Micaela Barbosa
3 Fev. 2026 3 mins

O alerta foi lançado pelo médico Leandro Massada, especialista em ortopedia e medicina desportiva. “Se o número de diabéticos continuar a aumentar a este ritmo, os serviços nacionais de saúde dos países ocidentais não aguentam mais de dois a três anos”, afirmou, considerando que o movimento é “o medicamento mais simples e à disposição de todos”.

Segundo o mais recente Relatório do Programa Nacional para a Diabetes — Desafios e Estratégias 2025, apresentado na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, foram identificados 80.915 novos casos de diabetes em Portugal em 2024. O número mantém o país entre os que registam maior incidência da doença na Europa.

Ao todo, mais de 935 mil pessoas vivem com diagnóstico de diabetes, sendo que a diabetes tipo 2 continua a representar mais de 90% dos casos, fortemente associada a fatores como excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e idade. A DGS alerta que o número real poderá ser ainda maior, devido a casos não diagnosticados ou em risco elevado.

Apesar da incidência elevada, o relatório aponta melhorias no controlo da doença e uma redução da mortalidade associada, tendências que os especialistas querem ver consolidadas nos próximos anos.

O documento sublinha, ainda, a importância de medidas preventivas, como alimentação equilibrada, atividade física regular e abandono do tabaco.

No mesmo evento, Marta Massada, também médica, estimou que os custos associados à inatividade física, incluindo encargos de saúde e baixas por doença, podem totalizar “cerca de 1,5 mil milhões de euros por ano em Portugal”, com base em estimativas de um estudo europeu da consultora Deloitte. “Estes números dizem respeito a encargos de saúde… mais absentismo e perdas de receitas fiscais”, especificou, sublinhando a dimensão económica do problema e a necessidade de políticas mais eficazes de promoção da atividade física.

Na região do Alto Minho, existem iniciativas comunitárias para promover a atividade física, incluindo o programa Diabetes em Movimento, desenvolvido pela Unidade Local de Saúde do Alto Minho em parceria com a Câmara Municipal de Viana do Castelo, que oferece sessões semanais de exercício físico e acompanhamento profissional para pessoas com diabetes tipo 2. Estas ações visam “incentivar estilos de vida mais ativos e contribuir para o controlo da doença”.

Os especialistas sublinharam, ainda, a importância de incorporar movimento, desde a infância até à terceira idade, como forma eficaz de prevenção: “Bastaria utilizar métodos relativamente simples, como o movimento desde o período escolar até à velhice”, exemplificaram.

A Direção‑Geral da Saúde (DGS) reconhece a tendência ascendente da diabetes em Portugal, com mais de 80 mil novos diagnósticos em 2024, e reforça a necessidade de uma gestão integrada do tratamento, incluindo alimentação, atividade física e medicação, nos cuidados primários de saúde.

c/ Lusa

Em Destaque

Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.

Opinião

Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.

Explore outras categorias