O número de despedimentos coletivos voltou a subir em 2025 e atingiu o valor mais elevado desde o primeiro ano da pandemia. Segundo dados da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), foram comunicados 552 processos de despedimento coletivo entre janeiro e dezembro, uma subida de 11,1% face a 2024 e o registo mais alto desde 2020.
A tendência de crescimento mantém-se pelo terceiro ano consecutivo e confirma um agravamento no mercado de trabalho, com impacto particular nas regiões mais industrializadas do país. O Norte surge como a segunda região mais afetada, logo a seguir a Lisboa e Vale do Tejo, concentrando 173 despedimentos coletivos, cerca de 31% do total nacional.
Em termos absolutos, Lisboa e Vale do Tejo lidera com 271 processos, mas o peso do Norte continua a ser significativo, refletindo a forte presença de micro, pequenas e médias empresas, muitas delas ligadas à indústria transformadora, o setor mais afetado pelos despedimentos ao longo do ano.
Os dados mostram também um aumento expressivo no número de trabalhadores despedidos. Em 2025, 6.714 trabalhadores foram abrangidos por despedimentos coletivos, dos quais 6.530 acabaram efetivamente despedidos, o que representa um aumento de 13,4% face ao ano anterior.
No Norte, os processos concentraram-se sobretudo em micro e pequenas empresas, um padrão que se repete a nível nacional, mas que assume especial relevância numa região marcada por um tecido empresarial fragmentado e fortemente dependente da atividade industrial e exportadora.
O último mês do ano confirmou a tendência de agravamento. Em dezembro de 2025 foram despedidos 595 trabalhadores, quase o dobro dos 355 registados no mesmo mês de 2024 e muito acima dos 161 despedidos em novembro.
Também neste mês, a indústria transformadora voltou a destacar-se como a atividade com maior número de despedimentos, sendo a redução do número de trabalhadores a principal justificação apresentada pelas empresas, responsável por cerca de 46% dos casos.
Excluindo o período mais crítico da pandemia, é preciso recuar a 2014 para encontrar números semelhantes aos registados em 2025, o que reforça os sinais de pressão sobre o mercado de trabalho, em particular nas regiões industriais do Norte do país.
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