CIM do Alto Minho substitui Auto Viação Cura no transporte público após revogação de licença do IMT

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho retirou ao grupo Auto Viação Cura a operação de várias linhas de transporte público na região, depois de o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) ter revogado, com efeitos imediatos, a licença comunitária da empresa.

Micaela Barbosa
12 Mar. 2026 3 mins

A decisão obrigou à substituição urgente do operador para evitar a interrupção do serviço, sobretudo para passageiros que dependem dos autocarros nas deslocações diárias e para os alunos que utilizam estas linhas para chegar às escolas.

Segundo o presidente da CIM do Alto Minho, António Barbosa, o organismo foi informado pelo IMT da cessação da licença da transportadora. Perante essa comunicação, o conselho intermunicipal avançou com um ajuste direto de caráter urgente para garantir a continuidade do serviço. “A partir de terça-feira, o serviço público de transportes passou a ser assegurado por outra empresa”, indicou António Barbosa, que é também presidente da Câmara de Monção.

A operação foi atribuída à Empresa de Transportes Courense, empresa do grupo AVIC, que começou a assumir as carreiras no dia 10 de março.

Em comunicado, a CIM do Alto Minho explicou que a revogação da licença comunitária, formalizada através da deliberação do IMT de 4 de março, impossibilitou de imediato a Auto Viação Cura de continuar a operar transporte público rodoviário de passageiros.

A comunidade intermunicipal garante que a transição iniciou-se “sem registo de interrupções significativas”, embora possam ocorrer anomalias pontuais durante esta fase inicial de adaptação.

Os passes mensais adquiridos junto do operador anterior mantêm-se válidos durante o mês de março. A partir de abril, os passageiros terão de solicitar um novo cartão junto da empresa que agora assegura o serviço, sendo os custos de emissão suportados pela CIM nesta fase de transição.

Alguns passageiros relataram que motoristas terão mencionado durante as viagens que a empresa poderia avançar para insolvência.

O Notícias de Viana contactou a Auto Viação Cura, mas ainda não obteve resposta.

O grupo Auto Viação Cura já enfrentava problemas financeiros nos últimos anos. Em abril de 2022, um ex-motorista da Transcolvia, empresa do mesmo grupo, requereu a insolvência da transportadora por salários em atraso no valor de cerca de 22 mil euros.

Na altura, o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte indicou que o trabalhador rescindiu contrato após três meses sem receber salário e acabou por vencer a ação em tribunal.

O processo de insolvência da Transcolvia envolvia mais de duas dezenas de credores e dívidas que rondavam os 17 milhões de euros, incluindo um montante superior a 15 milhões reclamado pela Autoridade Tributária.

Nos últimos anos registaram-se ainda paralisações e greves relacionadas com atrasos salariais, levando algumas autarquias da região a recorrer a outros operadores para garantir o transporte escolar.

Tags Economia

Em Destaque

Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.

Opinião

Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.

Explore outras categorias