Cáritas diocesana apela à entrega de donativos

A Cáritas Portuguesa alertou para um cenário “muito preocupante” de crise social no país nos próximos meses, falando num aumento “generalizado” dos pedidos de ajuda. Na Diocese de Viana do Castelo, o aumento não é “significativo”, mas os donativos não são suficientes para fazer face às necessidades.

Notícias de Viana
18 Nov. 2022 4 mins

O presidente da Cáritas diocesana de Viana do Castelo, Manuel Carvalho, revelou que estão “preocupados” com “a subida de preços, sobretudo de bens de primeira necessidade (alimentos, água e eletricidade) e das rendas de casa”. “É galopante aquilo que se verifica em termos de aumento de despesas”, alertou, especificando: “Em 2021, tivemos até 30 de setembro, 841 atendimentos. Já em 2022, até ao momento, tivemos 892. Ou seja, há uma diferença de 50 atendimentos. Não é muito significativo porque há algumas famílias que, felizmente, entraram no mercado de trabalho e deixaram de pedir apoio. Contudo, há novas famílias a pedirem-nos ajuda.”

Já sobre o pedido de apoios para as rendas de casa é “significativo”. “Estávamos a pagar/apoiar rendas de casa na ordem dos 350 euros e agora, está nos 450/500 euros”, contou, defendendo que 2023 vai ser um ano “bastante delicado devido ao aumento do custo de vida, por consequência da falta de rendimentos dos agregados familiares”. “Quando vim para cá, uma botija de gás custava 20 euros e, agora, está nos quase 30 euros. Isto é representativo”, exemplificou, frisando: “Precisamos de donativos para fazer face a estas necessidades. Há donativos que se mantêm, mas não são suficientes devido ao aumento significativo dos preços.”

O responsável mostrou-se ainda “preocupado” com a vinda de migrantes para Portugal. “Temos muito pedidos de migrantes vindos do Brasil, Cabo Verde, S. Tomé, Índia, Paquistão, Colômbia… uma lista enorme”, disse.

Em comunicado, a Cáritas Portuguesa afirma que “Portugal enfrenta um final de ano de 2022 e um início de ano de 2023 muito preocupante”. “As diversas proveniências das crises com que nos debatemos exigem intervenção multissetorial e uma grande capacidade de rentabilizar as interdependências”, acrescenta.

A rede nacional da Cáritas acompanha “com preocupação” a situação da sociedade portuguesa, ao registar “um aumento generalizado em todo o país dos pedidos de ajuda”. “As famílias que mais procuram a Cáritas são famílias de classe média e média-baixa. Há uma tendência comum para um aumento da procura por parte de famílias em situação de empregabilidade”, precisam os responsáveis.

A nota aponta ao “aumento generalizado” de famílias de outros países que procuram ajuda de emergência, destacando a “pressão” que os pedidos de apoio de estrangeiros, migrantes e refugiados colocam sobre a rede nacional da Cáritas.

A organização católica sublinha que o orçamento alimentar básico mensal aumentou 45 euros ao longo do último ano. “As condições de vida de muitas famílias em Portugal já eram muito frágeis. Esta fragilidade é visível em inúmeros dos chamados ‘indicadores de privação material severa’. Também para muitas destas famílias, os desafios económicos atuais representam uma barreira difícil de transpor, principalmente, sem recurso a ajudas fora do seio familiar”, acrescenta o comunicado.

A rede nacional, composta por 20 Cáritas Diocesanas, apoia anualmente cerca de 120 mil pessoas. “A Cáritas luta para dar resposta ao aumento das solicitações, à sua diversidade e, por outro lado, ao aumento dos custos de gestão, para garantir que quem nos procura encontra sempre uma porta aberta e a resposta de emergência de que necessita”, refere a organização.

A nota identifica o acesso à habitação como “uma das principais dificuldades para a integração de pessoas vulneráveis”, nomeadamente jovens estudantes, famílias com baixo rendimento e pessoas sem abrigo. “Não há medidas políticas nem estratégias que permitam vislumbrar soluções no curto prazo, o que compromete o futuro de muitos”, lamenta a Cáritas Portuguesa.

A organização de caridade e ação humanitária da Igreja Católica regista ainda um decréscimo de disponibilidade por parte dos doadores, considerando que “as medidas com vista à sustentabilidade das respostas sociais tardam em chegar”. “Como Cáritas, acreditamos que uma parte fundamental do nosso trabalho se faz nas relações de proximidade e, apesar das dificuldades, continuaremos a procurar caminhos eficazes para inverter as situações de vulnerabilidade e dar às famílias a que servimos um olhar de esperança sobre o futuro”, indica Rita Valadas, presidente da Cáritas Portuguesa.

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