A instabilidade no Paredão de Moledo voltou a marcar a agenda política no concelho de Caminha, depois de nova derrocada parcial na estrutura ter motivado um comunicado de alerta por parte da autarquia e reacendido a troca de críticas entre a presidente da Câmara, Liliana Silva, e o vereador Rui Lages.
Segundo o Município, a forte agitação marítima dos últimos dias provocou “um abatimento significativo” numa zona lateral do paredão, distinta da área alvo de uma intervenção de emergência realizada há cerca de duas semanas.
A autarquia sustenta que essa obra evitou o colapso total da infraestrutura, mas admite que os novos danos colocam agora o paredão “em risco efetivo de colapso”.
A Câmara liderada por Liliana Silva afirma ter desencadeado contactos urgentes com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), visando uma intervenção estrutural em toda a extensão do paredão.
A presidente sublinha que a solução anterior foi assumida como provisória e de caráter emergencial, defendendo que uma resposta definitiva “não se faz em 15 dias” e depende de planeamento técnico mais aprofundado.
No terreno, garante a autarquia, estiveram equipas técnicas desde as 7h30 para avaliar a situação e foram reforçados os apelos à população para que não se aproxime da zona afetada, devido ao risco de derrocada.
A nova ocorrência rapidamente extravasou o plano técnico para o político. O primeiro comentário surgiu nas redes sociais por parte do vereador Rui Lages, que apontou à intervenção municipal “demasiado show, pouco pensamento e planeamento, fraca execução”, defendendo que “urgem medidas tecnicamente viáveis para a contenção de todo o amuralhado do paredão de Moledo”.
A presidente da Câmara de Caminha, Liliana Silva, reagiu pouco depois, acusando o vereador de instrumentalizar a situação. “Quando não se sabe do que se fala, dá neste tipo de comentários, por parte de quem não deveria aproveitar-se da desgraça para fazer política”, escreveu.
A autarca enumerou cinco pontos para sustentar a atuação do município: o paredão não colapsou graças à intervenção de emergência realizada há cerca de 15 dias; o novo abatimento ocorreu numa área distinta da intervencionada; os trabalhos foram acompanhados pela Agência Portuguesa do Ambiente; tratou-se de uma solução provisória, assumida como urgente; e o empreiteiro realizou “um fantástico trabalho”, que terá evitado danos mais graves.
Rui Lages voltou depois à carga, rejeitando que a sua posição constitua oposição gratuita. “Denunciar falhas numa obra pública não é um ato de oposição. É um dever cívico”, escreveu, defendendo que quem exerce funções públicas deve estar preparado para o escrutínio.
Para o vereador, a questão central não é pessoal, mas política. “Quando uma obra apresenta fragilidades pouco tempo depois de concluída, a pergunta não é ‘porque é que estão a criticar?’. A pergunta é: ‘o que falhou?’”, questionando se houve estudo, fiscalização e planeamento suficientes.
O episódio surge num contexto de crescente preocupação com a erosão costeira na frente atlântica do concelho, onde o paredão assume um papel central na proteção de pessoas e bens.
A autarquia insiste que a prioridade é a segurança e garante acompanhamento permanente da situação, em articulação com as entidades competentes.
Já o vereador sustenta que “Moledo merece transparência, competência e soluções estruturais, não remendos”, defendendo a divulgação de relatórios técnicos que comprovem a solidez da intervenção realizada.
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