Associações alertam para risco de perseguição ilegal do lobo após criação de movimento de criadores

Organizações de defesa animal manifestaram-se contra o movimento criado por produtores de gado no norte de Portugal que exige o fim da proteção do lobo ibérico. A ANIMAL e a SOS Animal alertam para o uso de linguagem agressiva que, segundo dizem, pode incentivar a perseguição ilegal da espécie e agravar conflitos entre humanos e fauna selvagem.

Notícias de Viana
13 Fev. 2026 3 mins

O movimento, denominado União dos Produtores de Gado Lesados pelo Lobo (UPGALL), surgiu após ataques a rebanhos no concelho de Viana do Castelo, incluindo um incidente em janeiro em Santa Maria de Geraz do Lima, quando 13 das 16 ovelhas de Orlando Gonçalves foram mortas. 

Segundo o criador, a alcateia da zona terá tentado atacar também as suas éguas. O porta-voz afirma que a presença de lobos está a aumentar em áreas próximas de explorações agrícolas e acusa a espécie de atuar de forma “selvática e implacável”.

Em resposta, as associações ANIMAL e SOS Animal criticaram a linguagem utilizada publicamente, nomeadamente termos como “terrorismo” e “tumor maligno”, defendendo que este tipo de discurso ultrapassa o debate sobre políticas públicas e legitima a violência. 

Em comunicado, afirmam que “a morte deliberada de animais não deve ser apresentada como resposta política ou instrumento de gestão de conflitos”.

O lobo ibérico é protegido em Portugal pela Lei nº 90/88, de 13 de agosto, que proíbe o seu abate ou captura, exceto em casos específicos, e está abrangido por convenções internacionais como a de Berna e a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção.

Segundo as associações, a evidência científica indica que o controlo letal não constitui uma solução eficaz para reduzir conflitos de forma sustentada e pode até agravá-los a médio prazo.

Para prevenir ataques a gado, as organizações não-governamentais apontam medidas alternativas já testadas na Península Ibérica como a utilização de cães de proteção, vedações reforçadas, o maneio adequado dos rebanhos, o acompanhamento técnico contínuo, e a verificação rigorosa de ocorrências e mecanismos de compensação justos e céleres.

O movimento dos produtores lançou também uma petição pública que reuniu centenas de assinaturas e afirma que recorrerá a instâncias nacionais e europeias para defender a sua posição. Por sua vez, as associações pedem esclarecimentos públicos às autoridades competentes e reafirmam a importância de políticas baseadas na prevenção e na gestão ética de conflitos, sem recorrer à violência contra animais.

O episódio evidencia o conflito crescente entre conservação e pecuária, colocando a proteção do lobo ibérico em confronto direto com as preocupações de produtores locais, e sublinha a necessidade de soluções equilibradas que conciliem a proteção da fauna com a subsistência das comunidades rurais.

c/ Lusa

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