A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez pediu ao Governo apoio financeiro para fazer face a prejuízos avaliados em 2,2 milhões de euros na sequência do mau tempo que afetou o concelho a 27 de janeiro. O pedido foi formalizado através de um relatório enviado a vários membros do Executivo, incluindo os ministros das Infraestruturas e Habitação, do Ambiente, da Economia e da Coesão Territorial.
Segundo o documento, os danos “ultrapassam claramente a capacidade de resposta ordinária do orçamento municipal”, colocando em causa “a execução de outras responsabilidades essenciais” caso não seja assegurado apoio externo.
O presidente da Câmara, Olegário Gonçalves, explicou que a autarquia já teve de avançar com intervenções de emergência no valor aproximado de 80 mil euros. “Foram ações imediatas para garantir condições mínimas de segurança e acessibilidade, numa mobilização urgente e continuada de meios humanos e mecânicos municipais”, afirmou.
O relatório aponta ainda para necessidades de investimento de cerca de 1,82 milhões de euros em intervenções estruturais, incluindo a reparação e consolidação de estradas municipais, estabilização de taludes, reconstrução de muros de suporte e contenção de materiais instáveis para prevenir novos deslizamentos.
O mau tempo provocou várias derrocadas, estradas municipais cortadas e inundações associadas à subida das águas do rio Vez, nomeadamente na zona da Valeta, onde vários estabelecimentos comerciais foram afetados. Os prejuízos no comércio do centro histórico estão estimados em cerca de 300 mil euros, valor que o município pede que seja tido em conta “no âmbito dos mecanismos de apoio financeiro extraordinário”.
Uma das situações mais graves registou-se no acesso à aldeia de Sistelo, onde uma derrocada de grandes dimensões cortou a ligação direta à sede do concelho. “Metade da freguesia está isolada, só tem saída pela estrada que liga Arcos de Valdevez a Monção. No lugar da Igreja a estrada está transitável”, relatou o autarca, acrescentando que, apesar dos danos significativos, “não há registo de vítimas” no concelho.
O levantamento dos prejuízos, iniciado no dia seguinte ao temporal, encontra-se “em atualização contínua” e inclui também intervenções na ecovia municipal, desobstrução e reconstrução de aquedutos e a remoção de árvores em risco de queda.
A situação em Arcos de Valdevez insere-se num contexto mais amplo de impacto do mau tempo a nível nacional. Desde a semana passada, registaram-se dez mortes associadas à intempérie, cinco das quais diretamente relacionadas com a passagem da depressão Kristin, segundo a Proteção Civil. O Governo decretou a situação de calamidade até ao próximo domingo em 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio que pode atingir os 2,5 mil milhões de euros.
c/ Lusa
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