A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta por Portugal continental deixou um rasto de destruição, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocando 14 mortos, centenas de feridos e desalojados, além de elevados danos materiais. Perante este cenário, várias entidades do Alto Minho anunciaram e concretizaram ações de apoio às populações afetadas.
Um dos exemplos mais recentes é o de Valença, que enviou um camião com materiais de construção para o concelho de Castanheira de Pera, no distrito de Leiria. O carregamento incluiu telhas, cumeeiras, cruzetas, rufos e espuma isolante, destinados à reparação de habitações danificadas, tendo sido entregue ao Serviço Municipal de Proteção Civil local, responsável pela distribuição junto das famílias mais necessitadas.
A ação resultou de uma iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Valença e das 11 juntas de freguesia, que suportaram os custos da aquisição dos materiais, fornecidos por uma empresa local, reforçando simultaneamente o comércio e o tecido empresarial do concelho. A este apoio juntou-se ainda a oferta de uma embarcação por parte da empresa valenciana Nauticol, já entregue à Proteção Civil de Montemor-o-Velho, para apoio às operações no terreno.
O movimento solidário estendeu-se a vários concelhos da região. Em Paredes de Coura, a transportadora Transcoura assegurou o envio de quatro paletes de telhas e cerca de 50 portas de madeira para Leiria, referindo tratar-se de um gesto “simples, mas carregado de solidariedade”.
Em Viana do Castelo, a empresa Sandokan disponibilizou 60 geradores de energia, em regime de aluguer, para garantir energia de emergência a entidades públicas e privadas, incluindo a Câmara Municipal de Leiria, enquanto decorrem os trabalhos de reposição da rede elétrica. Também de Vila Nova de Cerveira, a empresa Rádio-Luz transportou oito geradores, que, segundo a empresa, já se encontram em funcionamento nas localidades mais afetadas.
Já em Ponte de Lima, o grupo Office Total Food Brands, detentor da marca Saborosa, anunciou a disponibilização de 50 mil euros para apoiar a reconstrução de habitações danificadas, assumindo um compromisso direto com as famílias em situação mais crítica.
No plano operacional, bombeiros do Alto Minho foram mobilizados para apoiar o socorro na região de Leiria. Ao todo, foram empenhados operacionais e viaturas, com especial incidência em trabalhos de desobstrução de vias e apoio às corporações locais.
Também o Corpo Nacional de Escutas – Região de Viana do Castelo marcou presença desde os primeiros dias. Uma equipa composta por uma dúzia de dirigentes, liderada pelo chefe regional António Pereira, esteve nas cidades da Batalha, Marinha Grande e na vila da Caranguejeira, participando na limpeza de detritos, remoção de estruturas, distribuição de bens alimentares e apoio primário às populações.
Paralelamente, os 26 agrupamentos escutistas da região organizaram uma campanha de recolha que permitiu reunir mais de cinco toneladas de bens alimentares, produtos de higiene pessoal e materiais de limpeza, entretanto enviados para Leiria e distribuídos através da Cáritas de Leiria. Mais recentemente, um grupo adicional de 38 dirigentes, caminheiros e pioneiros esteve ao serviço da freguesia de Santa Eufémia, no concelho de Leiria, apoiando trabalhos de limpeza e desobstrução de arruamentos.
A dimensão da tragédia levou o Governo a prolongar a situação de calamidade até dia 15, abrangendo 68 concelhos, e a anunciar um pacote de medidas de apoio que pode ascender a 2,5 mil milhões de euros.
A nível internacional, o Papa Leão XIV evocou, no Vaticano, as vítimas do mau tempo em Portugal, apelando à oração e à solidariedade com as populações afetadas. “Encorajo as comunidades a permanecerem unidas e solidárias”, afirmou, perante milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro.
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