O Cineteatro de Vila Praia de Âncora, em Caminha, é atualmente um dos poucos locais do distrito de Viana do Castelo com exibição regular de cinema comercial. A Câmara Municipal anunciou que pretende manter a programação e atrair público de concelhos vizinhos, aproveitando o vazio deixado pelo encerramento das salas no Estação Viana Shopping.
“Acho que é muito interessante, até para todo o Alto Minho, que quem goste de ir ao cinema e de ver filmes mais comerciais possa vir ao concelho de Caminha, porque neste momento é o único que está a funcionar. E é para manter”, afirmou Liliana Silva, presidente da Câmara, eleita em outubro de 2025.
A gestão do espaço está a cargo do município desde 2017, depois da requalificação do edifício. A autarquia seleciona os filmes em exibição, garantindo que estão em cartaz e sejam apelativos para o público. A receita da bilheteira reverte integralmente para os Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora. “É uma forma de ajudar os bombeiros mensalmente. A câmara faz o aluguel dos filmes, faz toda essa parte e depois a receita reverte a favor dos bombeiros voluntários”, explicou Liliana Silva.
O Cineteatro, que esteve fechado durante duas décadas antes da requalificação concluída em 2016, tem capacidade para 200 pessoas.
Segundo dados do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), em 2025, o espaço recebeu cerca de mil espectadores em 19 sessões, uma queda face aos anos anteriores, em que chegaram a assistir 3.509 pessoas em 2023.
O caso de Caminha insere-se num panorama mais amplo. Com os recentes encerramentos de salas da exibidora Cineplace e a reorganização de outros espaços, já são cinco os distritos portugueses sem exibição comercial diária. Cineclubes e associações pedem reforço dos apoios à exibição por parte do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e maior envolvimento das autarquias. “Temos aqui duas situações muito diferentes: o circuito comercial, centrado nos centros comerciais, que enfrenta dificuldades, e as exibições geridas pelas câmaras, que são as que têm mais auditórios disponíveis para cineclubes”, explica António Costa Valente, do Cineclube de Avanca.
No distrito, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, garantiu que emitirá um parecer desfavorável à desafetação das salas no Estação Viana Shopping, sublinhando que a integração do cinema no centro comercial foi um ponto considerado na sua construção.
Enquanto a exibição comercial enfrenta obstáculos, cineclubes e associações continuam a promover sessões, muitas vezes em colaboração com autarquias. Nuno Pinto Cardoso, da associação Cinemalua, que programa sessões no Cineteatro Jaime Pinto, em São Brás de Alportel, considera que o momento atual pode ser uma oportunidade. “Há equipamento preparado para receber sessões de cinema, um incentivo à expansão desta rede parecia razoável”, salientou.
Em Caminha, a estratégia da autarquia passa por aproveitar o “nicho” que existe no distrito e reforçar a programação cinematográfica local, garantindo que os filmes escolhidos consigam encher a sala e fortalecer a vida cultural do concelho.
c/ Lusa
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