Teatro do Noroeste estreia “Mistério Da Vinci”, um espetáculo para a infância que cruza ciência, falhanço e imaginação

O Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana estreia, a 10 de fevereiro, Mistério Da Vinci, um espetáculo dirigido ao público infantil e familiar que propõe uma viagem lúdica e pedagógica pelo universo de Leonardo da Vinci. A produção estará em cena até 7 de março, somando mais de 20 apresentações e esperando receber cerca de cinco mil crianças, maioritariamente em sessões para escolas.

Micaela Barbosa
5 Fev. 2026 3 mins

Com encenação e texto de Adriel Filipe, Mistério Da Vinci é a 173.ª criação da companhia e surge no ano em que o Teatro do Noroeste assinala 35 anos de atividade. A peça, com a duração aproximada de 40 minutos, destina-se a públicos a partir dos três anos e cruza teatro, ciência e imaginação para apresentar, de forma acessível, o lado multifacetado do criador da Mona Lisa.

Em palco estão Alexandre Calçada, Luís Bonito e Ricardo Ribeiro, que dão corpo a um Leonardo da Vinci menos conhecido, para lá do pintor consagrado, explorando o cientista, engenheiro, inventor e sonhador que marcou o Renascimento. Máquinas voadoras, projetos urbanos, rivalidades artísticas e tentativas falhadas fazem parte do percurso dramatúrgico, pensado para dialogar com diferentes idades.

Para Adriel Filipe, esta primeira encenação surge como um desafio natural depois de mais de uma década ligada à companhia, onde passou por funções tão diversas como ator, produtor e criador de figurinos e cenários. “Normalmente conhecemos o Leonardo pelas pinturas, mas a pesquisa revelou um mundo muito maior. Tivemos de selecionar, porque seria impossível contar tudo num só espetáculo”, explica o encenador, que assumiu também o desenho de figurinos e cenografia.

Essa necessidade de seleção foi central num processo de criação que começou ainda em junho do ano passado, vários meses antes dos ensaios. “Comecei muito cedo a pensar no texto, nos figurinos, no cenário. O objetivo era que tudo estivesse pronto no primeiro dia de ensaios, em janeiro. E conseguimos. Isso foi muito importante para o processo”, sublinha o encenador.

Apesar de dirigido à infância, o espetáculo evita uma abordagem excessivamente infantilizada. “É para crianças, mas também para famílias. Dos três aos 99 anos”, acrescenta Adriel Filipe. 

A narrativa privilegia menos a explicação técnica das invenções e mais mensagens transversais sobre criatividade, tentativa e erro, e a importância de arriscar, uma leitura do próprio percurso de Leonardo da Vinci, conhecido por muitos projetos inacabados. “Há uma mensagem muito clara: as coisas não precisam de estar perfeitas, precisam de ser feitas. Tentar, arriscar, sonhar. Leonardo falhou muitas vezes e não acabou muitas das coisas que começou, e isso é muito bonito para passar aos mais pequenos”, afirma.

O diretor artístico do Teatro do Noroeste, Ricardo Simões, enquadra a estreia no programa comemorativo dos 35 anos da companhia, que aposta numa lógica de continuidade e projeção no futuro. “Decidimos celebrar com quem representa esse futuro. O Adriel é um artista total, alguém que mete as mãos em tudo e não tem medo de falhar. Esse espírito liga-se muito bem à figura de Leonardo da Vinci”, afirma.

Mistério Da Vinci integra ainda sessões com recursos de acessibilidade em datas selecionadas e contará com apresentações em dois sábados, incluindo no dia 14 de fevereiro.

Mais do que uma lição de história, o espetáculo propõe-se como um convite à curiosidade, persistência e liberdade criativa, usando o teatro como ponto de encontro entre arte e conhecimento. “Há o Leonardo que toda a gente conhece, da Mona Lisa e da Última Ceia, mas há muito mais. O lado humano, as intrigas, a rivalidade com Miguel Ângelo, a dimensão científica”, conclui Ricardo Simões.

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