Os eleitos pela AD levaram à reunião de câmara de Viana do Castelo a situação das marinas da cidade, acusando o município de deixar “ao abandono” equipamentos estratégicos para a relação da cidade com o rio Lima. O presidente da autarquia respondeu que o processo de concessão está em curso e perto de uma decisão final.
Na intervenção, o vereador Paulo Morais considerou que Viana do Castelo está a desperdiçar um ativo fundamental. “Falamos do quase total abandono a que estão votadas as marinas citadinas”, afirmou, classificando a situação como “uma oportunidade perdida imperdoável”.
O vereador apontou em particular a marina a jusante da Ponte Eiffel, que disse estar “quase sem utilização” e em estado “desleixado”. Segundo Paulo Morais, o espaço deveria funcionar como uma porta de entrada para o centro histórico e para o jardim da cidade, assumindo-se como um fator de animação urbana. Já a marina mais a ocidente, conhecida como Marina Atlântica, foi descrita como “deserta”, apesar do potencial para receber iates de maior porte e atrair turistas de maior poder de compra. “As próximas gerações não nos perdoariam se deixássemos escapar esta oportunidade”, afirmou.
Reconhecendo que a gestão das marinas não é da exclusiva responsabilidade da Câmara, Paulo Morais defendeu ainda assim que cabe ao município assumir um papel de liderança junto da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL). “Compete ao município dar o pontapé de saída e, de uma vez por todas, ressuscitar as marinas de Viana”, afirmou.
Luís Nobre rejeitou a ideia de inação por parte do executivo e sublinhou que o processo depende de entidades externas. “Não é um processo fácil, nem depende apenas do município”, afirmou, lembrando que têm existido constrangimentos administrativos e legais ao longo dos últimos anos.
O autarca adiantou que o concurso para a concessão das três marinas está a decorrer, tendo sido apresentadas quatro propostas, das quais três foram consideradas válidas e já avaliadas pelo júri. “O júri já tomou uma decisão, que será agora comunicada aos concorrentes”, afirmou, remetendo a divulgação oficial para a APDL.
À margem da reunião, Luís Nobre acrescentou que as propostas preveem investimentos e uma reorganização dos espaços, com impacto na atividade turística, na pesca e no comércio local. “Só com a concessão é possível concretizar os investimentos e dar resposta à procura que existe para as nossas marinas”, disse, admitindo que o processo se tem arrastado ao longo da última década devido a reclamações e incumprimentos de concessões anteriores.
O presidente da Câmara afirmou ainda que a dinamização das marinas integra a estratégia municipal para a economia do mar até 2030, defendendo que estes equipamentos podem funcionar como pontos de atração para a cidade e para o centro histórico, caso o procedimento seja concluído nos próximos meses.
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