O encerramento das últimas salas de cinema comercial em Viana do Castelo levou a AD a questionar, na reunião de câmara, a falta de alternativas para a exibição de filmes na cidade, com o presidente do município a garantir que existem entidades interessadas em dar continuidade à atividade.
Na intervenção, o vereador do PSD (eleito pela AD), André Lousinha, reconheceu que o fecho das salas exploradas pela Cineplace resulta de um processo de insolvência decretado pelo Tribunal Judicial de Lisboa e admitiu que a autarquia tentou encontrar soluções para manter a atividade. Ainda assim, considerou “preocupante” que, após o encerramento, Viana do Castelo tenha ficado sem qualquer oferta de cinema comercial. “O que nos preocupa é a ausência de alternativas e aquilo que este encerramento revela sobre a dificuldade em assegurar a viabilidade e a sustentabilidade de equipamentos culturais”, afirmou, relacionando o problema com o baixo poder de compra do concelho.
Citando dados do Instituto Nacional de Estatística, o vereador referiu que Viana do Castelo apresenta um poder de compra correspondente a 92% da média nacional, “o mais baixo entre as capitais de distrito”, o que, segundo disse, “condiciona o consumo cultural e o dinamismo económico”.
André Lousinha defendeu ainda que poderiam ter sido adotadas medidas para melhorar a acessibilidade ao cinema, nomeadamente através da redução dos custos de estacionamento no Estação Viana Shopping, que, no seu entender, agravavam o preço final pago pelos espectadores. O vereador questionou, por isso, se o município está a desenvolver alguma iniciativa concreta para garantir a existência de salas de cinema comercial no concelho, evitando que os vianenses tenham de se deslocar a Braga ou ao Porto.
Na resposta, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, afirmou que o município “tudo fará” para assegurar a continuidade da exibição de cinema, sublinhando que a existência de uma atividade cultural no shopping foi um dos pressupostos associados à sua instalação.
O autarca garantiu que essa posição foi comunicada de forma clara e formal e revelou que “há pelo menos duas entidades interessadas” em dar continuidade às salas encerradas, admitindo a possibilidade de soluções transitórias com envolvimento do município. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que este princípio se mantenha”, assegurou.
Luís Nobre defendeu ainda que o cinema é um equipamento cultural “essencial” para a cidade e considerou que “o Estado deve ter um papel mais ativo na proteção da exibição cinematográfica fora dos grandes centros urbanos”. Sem adiantar pormenores sobre os contactos em curso, garantiu que “o dossiê está a ser acompanhado pela autarquia”.
Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.
Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.