O Bispo da Diocese de Viana do Castelo, D. João Lavrador, reuniu-se com jornalistas no Seminário Diocesano para apresentar a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais e refletir sobre os desafios da comunicação na era digital.
Na conferência, o prelado fez um balanço do trabalho desenvolvido e destacou os principais desafios da Igreja no Alto Minho. Entre as preocupações centrais estão a interioridade, o envelhecimento da população e a escassez de sacerdotes. “Ali, o que temos são pessoas de idade. Por isso, a preocupação era verificar a possibilidade de criar um lar de idosos”, explicou, revelando que a Diocese está a preparar diáconos para apoiar as comunidades locais e responder à necessidade de maior proximidade pastoral.
D. João Lavrador abordou ainda a comunicação e a influência da inteligência artificial na sociedade. “Precisamos de palavras que unam as lágrimas da vida, palavras que construam comunidades, onde a inimizade separe de indivíduos e povos não deve existir”, afirmou, alertando para os riscos da tecnologia nas relações humanas: “Os chatbots, quando se tornam excessivamente ‘afetuosos’, podem ocupar a esfera da intimidade das pessoas e influenciar os seus estados emocionais de forma invisível”.
Por fim, apelou aos profissionais da comunicação para que sejam “amplificadores de vozes que corajosamente procuram a reconciliação, desarmando corações de ódio e de fanatismo” e “artesãos de uma palavra que abraça e de uma comunicação capaz de reunir o que está quebrado”. “A educação, a responsabilidade e a cooperação são essenciais para enfrentar os desafios da era digital e da inteligência artificial”, salientou, acrescentando que a tecnologia deve servir o ser humano, não substituí-lo.
A mensagem do Papa Leão XIV, apresentada no encontro, esteve no centro da reflexão. Sob o tema “Preservar vozes e rostos humanos”, o Pontífice alerta para os riscos antropológicos associados ao uso indiscriminado da inteligência artificial, sublinhando que o rosto e a voz são elementos únicos da identidade de cada pessoa e expressão da sua dignidade. “Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservar-nos a nós próprios”, escreve o Papa.
Leão XIV chama a atenção para os perigos da desinformação, da simulação da realidade e da substituição do pensamento crítico por respostas automatizadas, advertindo que a tecnologia pode interferir profundamente nas relações humanas. O Papa alerta ainda para a criação de falsas intimidades com sistemas artificiais, para os enviesamentos dos algoritmos e para a concentração de poder em grandes plataformas digitais.
Sem rejeitar a inovação, o Pontífice defende uma “aliança possível” com a tecnologia, assente em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação. A literacia mediática, informacional e digital surge como condição essencial para proteger a dignidade humana, salvaguardar a verdade e garantir que a comunicação continue a ser um espaço de encontro, liberdade e humanidade.
Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.
Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.