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Da Venezuela a Viana do Castelo: vidas em suspenso entre a crise e a esperança

Desde o início de janeiro de 2026, a Venezuela vive uma nova fase de instabilidade política e intervenção internacional. Após anos de crise económica, colapso social e repressão política, a detenção de Nicolás Maduro e a pressão dos Estados Unidos sobre o regime, marcaram um ponto de viragem simbólico para milhões de venezuelanos que deixaram o país nos últimos anos. Em Viana do Castelo, algumas dessas famílias tentam reconstruir as suas vidas longe de casa, mantendo a ligação à terra natal e à memória de um país em crise.

Micaela Barbosa
5 Fev. 2026 4 mins

Carolina Marcano, 49 anos, mediadora intercultural, decidiu deixar a Venezuela com o marido e os filhos quando percebeu que, mesmo pagando ensino privado, não conseguiria garantir uma educação adequada para os mais novos. “O meu filho mais novo tinha sete anos e o mais velho, nove. Percebi que, se ficássemos, o futuro deles estaria comprometido”, conta. A decisão implicou deixar família, amigos e rotinas consolidadas, e adaptar-se a uma nova cultura em Portugal.

Apesar da distância, Carolina mantém-se ligada à Venezuela. “Celebramos tradições como o ‘hallaca’ no Natal, e seguimos algumas tradições portuguesas no Ano Novo. É um equilíbrio de verdadeira interculturalidade”, confidencia. Sobre Nicolás Maduro, diz que “deve ser responsabilizado pelos crimes cometidos, mas a intervenção dos Estados Unidos surge como consequência das falhas internas do Governo, não como a causa do sofrimento do povo”.

Gabriela Pacheco, educadora de infância de 42 anos, partilha uma experiência semelhante, mas com foco na segurança e no bem-estar da filha. “Saímos em 2015, depois de viver uma situação de insegurança extrema e de sofrer um sequestro. A escassez de alimentos e medicamentos e a inflação descontrolada, destruíram o negócio do meu marido. Mas, o que mais nos motivou, foi oferecer à nossa filha uma infância digna, num país seguro”, explica.

O impacte emocional foi enorme. “O frio, a solidão e a saudade eram insuportáveis. Mas, ainda mais difícil, era ouvir relatos de pessoas que ficavam sem o que comer, ou de crianças que desmaiavam na escola por falta de alimentação”, recorda. Apesar disso, a ligação à Venezuela permanece viva. “O país é a minha origem, as minhas raízes. Mas também tenho muito a agradecer a Portugal, que nos devolveu a esperança”, salienta.

Ollantay Ferrer, 52 anos, chefe de turno, enfatiza a dimensão emocional da migração. “Vivemos em três mundos: o da Venezuela que deixámos, o de Portugal que nos acolhe, e o da família que construímos aqui. Eq

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