Há dias, tivemos eleições, de novo. Não chovia, não nevava, não estava calor, a praia não apetecia. Mesmo assim, 47,66% faltaram ao seu dever cívico. Desse número, alguns ainda constam dos cadernos eleitorais, mas já morreram, outros estavam doentes e outros não lhes apeteceu. São esses que me incomodam. Passam horas em bichas intermináveis para as eleições do seu clube, para entrar em concertos, para comprar bolas de Berlim, mas para votar, para se preocupar com o país, não lhes “puxa”. Na verdade, procurar naquele “lençol” o nosso candidato não foi nada fácil. Cansou. Desgastou. Ainda por cima, tínhamos três fora do baralho… para quando a alteração da lei?
Houve debates, debates, berreiro, interrupções, promessas, promessas, promessas, algumas que não podem ser cumpridas – a lei não o permite. Mas não importa. Certo povo gosta de ouvir, e se destila ódio, sinal de corrupção, mesmo infundada, uma bisbilhoticezinha, aí, sim, o candidato é dos bons!
Dantes era bom – não precisávamos de nos incomodar. Alguém escolhia por nós entre os seus amigos e apaniguados. Não tínhamos este trabalho, esta canseira. Se não nos cuidamos, ficamos livres delas (eleições).
Ideias apresentadas, poucas. Muito barulho, muito Tik Tok, muita animação, muito X, muito Instagram, pouca informação. Nas televisões, já não sabem onde ir buscar/desenterrar tanto comentador, tanto “tudólogo” que discorre sobre tudo ou quase tudo. (Onde desencantaram tanto general, tenente-general, tanto major-general para comentar a guerra?) E aí, também pelejam, discutem, argumentam, atropelam-se e não se entendem.
Às pinguinhas, em dias estratégicos, lá saem umas notícias bombásticas, algumas sem fundamento, que atiram a lama, acertam ou não, e são guardadas/escondidas, pois surge um novo acontecimento. São falsas, ou parcialmente falsas (fake news, mais chic), destroem reputações, apenas desmentidas anos depois, mas de que ninguém é responsável. Tudo em nome da liberdade de expressão, só do nosso lado, só nossa.
A maioria dos jornalistas faz as mesmas perguntas, não muito embaraçosas. Como está tudo na net não é preciso dar muita atenção, seguimos os influencers, estamos informados.
E os cartazes? Não falo daqueles inconcebíveis que por aí andam, esses não têm classificação, mas dos outros que vão ficando durante meses, a desfazerem-se, a poluir a paisagem, juntamente com os das imobiliárias. Temos cartazes das últimas duas eleições ainda por aí.
Muitos destes candidatos, destes comentadores, destes jornalistas, têm muita experiência destas andanças. Começaram nas eleições para as Associações de Estudantes das suas Escolas. Já então, prometiam, prometiam uma rádio, uma sala de convívio e distribuíam rebuçados… Agora, até aí, parece que é mais sofisticado. A seguir, entraram nas Jotas e completaram a formação neste campo. Aperfeiçoaram-se. Frequentaram Universidades de Verão. Aprimoraram-se. Ficaram prontos para nos governar. E eles aí estão! E nós, incautos, seguimo-los!
No próximo dia 8 de Fevereiro, vamos votar, novamente. Mais necessário do que nunca não ficar em casa. Vamos votar, enquanto nos deixam…
SUGESTÕES
Ver – A duas voltas, RTP Play
Ler – O fim dos Estados Unidos da América, Gonçalo M. Tavares
Seguir – Substack (plataforma on line)
(Escrito de acordo com a ortografia antiga)**
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