As redes sociais nasceram como promessa de aproximação das pessoas para democratizar mais ainda a intervenção cívica e dar voz a quem nunca a teve. Mas nesse caminho perderam-se algumas coisas. O uso da palavra como instrumento nobre do pensamento humano foi-se tornando barata, impulsiva e violenta.
Nunca foi tão fácil insultar e tão raro refletir. O insulto nas redes sociais surge sem rosto e sem contexto entre pessoas que não se conhecem, no meio de histórias que não se compreendem e de realidades reduzidas a uma frase, uma fotografia ou um título. A distância do ecrã cria uma falsa sensação de impunidade moral e diz-se o que jamais se diria olhos nos olhos, como se o outro deixasse de ser pessoa e passasse a ser apenas um objeto.
Este fenómeno revela uma crise mais profunda sobre a erosão da responsabilidade individual, com o perigo da banalização do mal pequeno, repetido, acrítico. O insulto barato não nasce do ódio consciente, mas da ausência de pensamento, porque é fácil e dá “likes”, porque alivia frustrações que nada têm a ver com o visado, ou com o assunto.
Há também uma ilusão perigosa de liberdade absoluta, onde se confunde a liberdade de expressão com ausência de limites éticos, e esquece-se que a liberdade termina onde começa a dignidade do outro, porque a palavra livre não é a palavra irresponsável é a palavra consciente das suas consequências.
O mais inquietante é que o insulto digital não empobrece apenas quem o recebe, mas sim quem o profere, porque em cada comentário ofensivo existe um abdicar da razão pelo impulso, provocando um recuo disfarçado de opinião, passando a argumentação a dar lugar à agressão, perdendo-se o diálogo entre as pessoas e a radicalização dos pensamentos.
Neste momento as redes sociais são um espelho ampliado da sociedade, onde só se vê raiva, desprezo e insulto fácil, talvez porque se estará a falhar na educação para o pensamento crítico e para o respeito. Pensar antes de dizer e escrever é fundamental, de modo a reconhecer no outro um ser humano com dignidade.
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