A violência no namoro continua a aumentar em Portugal e afeta, sobretudo, jovens adultos, numa realidade que atravessa todo o território nacional, incluindo o Alto Minho. No âmbito do Dia dos Namorados, assinalado a 14 de fevereiro, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) divulgou novos dados que revelam um crescimento significativo dos pedidos de apoio relacionados com relações marcadas por controlo, violência psicológica, perseguição e violência sexual.
Entre 2022 e 2025, a APAV apoiou 1.343 vítimas de violência no namoro em contexto de relação atual, o que representa um aumento de 36,5% ao longo do período. Nos casos de violência após a rutura da relação, o crescimento foi ainda mais acentuado: 2.625 vítimas apoiadas, mais 56,8% em quatro anos.
As estatísticas nacionais mostram que a violência no namoro não se concentra apenas nos grandes centros urbanos. A distribuição geográfica das vítimas acompanha a densidade populacional, com maior incidência nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal, mas com registo de casos em todos os distritos do país, incluindo o de Viana do Castelo. Embora com menor expressão em termos absolutos, os dados confirmam que distritos de menor dimensão populacional não estão imunes a este fenómeno.
A maioria das vítimas apoiadas pela APAV é do sexo feminino. As mulheres representam 88,6% das vítimas nos casos de violência em relações de namoro em curso, e 87,9% nos casos de violência pós-rutura. Em termos de idade, a violência no namoro afeta, sobretudo, jovens adultos: cerca de metade das vítimas tem entre os 18 e os 34 anos, com particular incidência nos grupos etários dos 25 aos 34 e dos 18 aos 24 anos. Há também registo de vítimas menores de idade, o que reforça a necessidade de intervenção precoce e de educação para relações saudáveis.
Apesar da gravidade das situações, a denúncia às autoridades continua a ser limitada. Menos de metade das vítimas de violência no namoro em relações ativas apresentou queixa, percentagem que aumenta nos casos de violência após a rutura, mas que continua a evidenciar barreiras no acesso à justiça e sentimentos de medo ou dependência emocional.
Um dos dados mais relevantes apontados pela APAV é a normalização do controlo como forma de violência. Práticas como a vigilância constante da localização, a exigência de acesso a passwords, o controlo de amizades ou a monitorização de comunicações, continuam a ser interpretadas por muitos jovens como provas de amor ou confiança, quando configuram violência psicológica e perseguição.
É neste contexto que a APAV lançou a campanha nacional RelationChip, uma iniciativa de sensibilização que começou com a apresentação de um produto tecnológico fictício: dois microchips subcutâneos que prometiam “zero segredos” num relacionamento.
A proposta, que gerou polémica pelo seu caráter invasivo, tinha como objetivo confrontar os jovens com comportamentos de controlo amplamente normalizados nas relações atuais. “Comportamentos de controlo não são provas de amor; são sinais de violência no namoro”, sublinha a APAV, que reforça a importância de reconhecer os sinais de alerta e de promover relações baseadas no respeito, na autonomia e na confiança.
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