Um grupo de criadores de gado afetados por ataques atribuídos ao lobo ibérico criou um movimento nacional para exigir o fim do regime de proteção da espécie em Portugal. A iniciativa, que se estende também à Galiza, surge na sequência de vários episódios registados no norte do país, nomeadamente no concelho de Viana do Castelo.
O movimento, denominado União dos Produtores de Gado Lesados pelo Lobo (UPGALL), nasceu após um ataque ocorrido em janeiro em Santa Maria de Geraz do Lima.
Segundo o porta-voz, Orlando Gonçalves, 13 das 16 ovelhas do seu rebanho foram mortas.
O criador afirma ainda ter avistado um lobo no dia seguinte, quando o animal alegadamente tentou atacar as suas éguas.
Orlando Gonçalves refere a existência de uma alcateia na zona entre Nogueira e Santa Luzia, que, diz, “está a dizimar os garranos”.
Relatos de avistamentos junto ao acesso à A27, em São Salvador da Torre, reforçam a preocupação dos produtores locais, que falam num aumento da presença do predador em áreas próximas de explorações agrícolas.
A UPGALL defende que o atual regime legal deve ser revisto. O lobo ibérico (Canis lupus signatus) é uma espécie protegida em Portugal ao abrigo da Lei n.º 90/88, que proíbe o seu abate ou captura em todo o território nacional, salvo exceções específicas. A espécie está igualmente abrangida por convenções internacionais como a de Berna e a CITES.
O porta-voz do movimento aponta o exemplo de Espanha, onde, segundo refere, o parlamento aprovou, em março de 2025, uma proposta que permite novamente a caça ao lobo a norte do rio Douro, após uma alteração legislativa apoiada por partidos de direita.
Os criadores contestam também o modelo de compensações do Estado pelos prejuízos causados por ataques de predadores.
Orlando Gonçalves considera que os apoios são insuficientes e critica o que classifica como “excesso de burocracia” no processo de comunicação e validação dos danos. “O criador, por vezes, nem rede telefónica tem quanto mais conhecimento e acesso a plataformas informáticas”, afirma, defendendo uma simplificação dos procedimentos administrativos.
O movimento garante que irá recorrer a instâncias nacionais e europeias para defender a sua posição. Entretanto, foi lançada uma petição pública em apoio aos produtores afetados, que em poucos dias reuniu várias centenas de assinaturas.
c/ Lusa
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