Viana do Castelo: Rui Pires demite-se do cargo de vice-coordenador da Iniciativa Liberal 

O vice-coordenador geral do Grupo de Coordenação Local da Iniciativa Liberal (IL) de Viana do Castelo, Rui Pires, demitiu-se por não concordar que a coordenadora geral, Marta Von Fridden, se candidate por outro território nas legislativas de 18 de maio.

Micaela Barbosa
2 Abr. 2025 3 mins

Nas eleições legislativas de 2024, Marta Von Fridden foi a cabeça-de-lista pela IL de Viana do Castelo. Este ano integra o 3º lugar da lista do Porto. Hugo Pereira é o número um pelo Alto Minho.

Face à decisão em Conselho Nacional, Rui Pires comunicou o seu afastamento “não por desavenças pessoais, nem por qualquer antagonismo em relação à candidatura de Marta Von Fridden”, mas por considerar que “há momentos em que o silêncio é cumplicidade e em que a coerência exige um posicionamento inequívoco”. “A minha decisão, conforme expresso na declaração, assenta na necessidade de coerência e compromisso com os princípios que sempre nortearam a minha participação política”, escreveu na descrição de uma publicação nas suas redes sociais.

No comunicado que publicou, o agora ex-vice-coordenador esclareceu que não pode compactuar “com a ideia de que alguém que integra um grupo de coordenação local de um território, se candidate por outro, nas legislativas, como se a representação política fosse um detalhe administrativo ou um mero formalismo descartável”. “A política é feita de raízes, de compromissos com as pessoas e com as terras. Não se pode representar verdadeiramente uma comunidade se, no momento decisivo, se escolhe outra para servir de trampolim”, justifica, lembrando que “não é um episódio isolado”, mas “um sintoma de um problema maior: uma erosão progressiva daquilo que distingue um projeto autêntico de uma máquina de poder convencional”. “Se a IL ceder a esta lógica, se começar a aceitar que a geografia eleitoral é um conceito fluido, se permite que os seus representantes escolham os seus círculos eleitorais da forma mais conveniente, então teremos falhado a nossa promessa fundadora”, referiu, defendendo “a transparência, a responsabilidade e a meritocracia genuína”. “A história mostra-nos que os partidos que se afastam da sua matriz fundadora acabam por se tornar irrelevantes ou indistinguíveis dos demais”, alertou, acrescentando: “A IL nasceu para desafiar a ordem estabelecida, para provar que é possível fazer política sem cair nos truques dos aparelhos partidários, sem as eternas manobras de bastidores que transformam os eleitores em figurantes de uma peça cujo desfecho já foi decidido à porta fechada”.

Para Rui Pires, “a política não é, pelo menos não deveria ser, um teatro de conveniências, em que os princípios se moldam ao sabor das circunstâncias”, mas “é, ou deveria ser, um exercício de lealdade”. E, apesar da sua demissão, garantiu que vai continuar “a defender as ideias que o motivaram a ingressar na IL, mas fá-lo-á “sem aceitar que se diluam na lógica eleitoralista” que sempre criticou. “Se queremos ser verdadeiramente uma alternativa, temos de demonstrá-lo nos nossos atos, não apenas nas nossas palavras. Se queremos credibilidade, temos de rejeitar atalhos e assumir o compromisso de sermos íntegros até ao fim”, sublinhou.

Marta Von Fridden mostrou-se “tranquila”, contando que aceitou, “de bom grado”, o desafio lançado pelo partido, integrando uma lista diferente.

Natural do Porto, a candidata da IL pelo círculo eleitoral do Porto explicou que não encontrou “nenhum grau de incompatibilidade”, assegurando que o núcleo aceita e respeita a decisão tomada por Rui Pires. “Sinto que vou em vantagem, porque levo um compromisso duplo: representar o Porto, a cidade onde nasci, e Viana do Castelo, a cidade que escolhi e que me acolheu para viver”, frisou.

Tags Política

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