Papa Leão XIV apela a escuta, jejum e solidariedade na Quaresma

Na mensagem para a Quaresma de 2026, Papa Leão XIV sublinha a importância de transformar a fé em gestos concretos, convidando os fiéis a praticar a escuta da Palavra de Deus e um jejum que vá além da privação de alimentos.

Micaela Barbosa
18 Fev. 2026 2 mins
“O tempo quaresmal é, por excelência, um tempo que leva ao aprofundamento da consciência batismal”, afirmou D. João Lavrador

“Todo o caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito”, escreve, destacando que a escuta é “o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.

Leão XIV propõe também uma forma de jejum frequentemente esquecida: a “abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo”. O Papa explica que isso implica renunciar a críticas mordazes, calúnias e julgamentos precipitados, substituindo-os por gentileza e atenção. “Esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz”, refere.

O pontífice sublinha que o jejum, seja alimentar ou da linguagem, serve para “ordenar os ‘apetites’, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo”.

Outro ponto central da mensagem é a dimensão comunitária da Quaresma, destacando que a conversão não é apenas individual, mas abrange o “estilo das relações” e a “qualidade do diálogo”. A esse propósito, Papa Leão XIV lembra que paróquias, famílias, grupos e comunidades religiosas devem percorrer juntos este caminho, fortalecendo o cuidado pelos pobres e a atenção às injustiças: “Comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor”, salienta.

Por fim, reforça que a escuta da Palavra de Deus na liturgia ajuda a perceber a realidade de forma mais profunda. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça”, escreve, lembrando que a condição dos pobres é um chamado constante à ação, não apenas da Igreja, mas de toda a sociedade.

Tags Religião

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