Viana do Castelo acolhe a sessão distrital do Parlamento dos Jovens – Ensino Secundário 2026, que reúne estudantes de várias escolas do distrito durante dois dias para debater o tema “Literacia Financeira: os jovens CONTAM!”. O encontro decorre no Auditório Santiago da Barra e conta com a presença de dois deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Viana do Castelo, José Pedro Aguiar-Branco e Marina Gonçalves, e do presidente da Câmara Municipal, Luís Nobre.
O programa, promovido pela Assembleia da República, pretende estimular o debate democrático e a participação cívica entre os jovens, envolvendo este ano um número recorde de escolas inscritas.
Durante a sessão, os estudantes vão debater propostas, aprovar o projeto de recomendação do círculo e eleger os representantes que irão à sessão nacional, marcada para maio, na Assembleia da República. “É com enorme gosto que estou aqui, em Viana do Castelo, que é o meu círculo eleitoral”, confidenciou Aguiar-Branco, acrescentando: “Não estamos aqui a fazer uma simulação da democracia, estamos mesmo a praticar a democracia. Foram eleitos e representam aqueles que os elegeram. Seguramente pensam uns diferentes dos outros e a democracia é isso.”
Marina Gonçalves destacou a importância da participação ativa dos jovens. “Não são só o futuro, são o presente. Vocês hoje já têm uma palavra a dizer e nós temos o dever de vos ouvir, mas são certamente o nosso futuro do distrito. Saio sempre muito descansada destas sessões, porque vemos aqui um brilhante futuro”, afirmou.
Já Luís Nobre reforçou a relevância da educação na formação cívica. “É bom para a democracia percebermos os valores, perceber as vantagens ou privilégios de vivermos numa sociedade democrática, mas também perceber o grande passo de intervenção, de aprendizagem e de capacitação que é proporcionado pelo espaço educativo”, afirmou, salientando: “A educação cria competências académicas, cívicas e sociais, e estamos a disponibilizar ferramentas para que os jovens tenham um percurso extraordinário, como cidadãos e profissionais.”
À margem da sessão, Aguiar-Branco abordou o contexto político nacional, apelando à maturidade política de PSD, PS e Chega para a eleição dos órgãos externos da Assembleia da República, essenciais para o funcionamento democrático do país. “A maturidade política, a maturidade democrática, obriga a que esses três partidos permitam uma maioria de dois terços. Essa configuração tem de estar bem presente em todos os que permitam a eleição”, afirmou.
O presidente da Assembleia da República destacou que a nova configuração parlamentar, definida pelos eleitores em eleições diretas, livres e universais, obriga a maior capacidade de entendimento entre os partidos.
Os órgãos em causa incluem o Tribunal Constitucional, o Conselho de Estado e o Provedor de Justiça. As eleições, inicialmente marcadas para 1 de abril, foram novamente adiadas depois de o PS alegar que ainda não foi encontrada uma solução adequada, defendendo a representatividade de todos os grupos políticos.
A nova calendarização deverá ser discutida na próxima conferência de líderes, marcada para 25 de março.
Aguiar-Branco sublinhou ainda que não há prazo limite para a eleição destes órgãos, mas alertou que o normal funcionamento das instituições depende deste consenso. “Todos os partidos dizem que, para além do interesse individual, é o interesse do país, do serviço público e da democracia que deve estar em primeira prioridade. Este é um bom teste para todos, porque todos são responsáveis por isso”, reforçou.
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