Furtos de combustível descem no país, mas aumentam no Alto Minho

A Guarda Nacional Republicana (GNR) alertou para a ocorrência de furtos de combustível em todo o país, num fenómeno que, apesar de uma ligeira redução global, apresenta sinais de agravamento em algumas regiões, entre as quais o Alto Minho, que registou uma subida significativa.

Micaela Barbosa
19 Mar. 2026 3 mins

De acordo com os dados divulgados pela GNR, o número total de crimes relacionados com furtos de combustível diminuiu de 1.744 em 2024 para 1.700 em 2025, uma descida de 2,52%. Ainda assim, esta tendência nacional esconde realidades distintas no território, com vários distritos a registarem aumentos expressivos.

É o caso do distrito de Viana do Castelo, onde os furtos subiram de 68 para 89 ocorrências, mais 21 casos, o que representa um aumento de 30,88%.

No plano geral, a GNR assinala que o fenómeno “tem vindo a assumir maior expressão”, enquadrando-o no atual contexto socioeconómico. “A subida dos custos associados à mobilidade tem vindo a exercer uma pressão acrescida sobre famílias e empresas, potenciando, em alguns casos, a adoção de comportamentos oportunistas ou ilícitos”, refere o comunicado.

Contrariando a perceção mais comum de que este tipo de crime ocorre, sobretudo, durante a noite, os dados de 2025 mostram que é durante a tarde que se concentra o maior número de furtos. Entre as 13h e as 18h registaram-se 676 ocorrências, seguindo-se o período da manhã (468 casos) e a noite (406). A madrugada surge como o período com menos registos, com 150 crimes.

Este padrão revela, segundo a GNR, uma adaptação dos autores a momentos de menor vigilância direta, mesmo em horários de maior circulação.

A redução global do número de crimes é explicada sobretudo pela diminuição dos furtos em postos de abastecimento, que passaram de 1.205 para 1.084 casos (-10,04%).

No entanto, outras tipologias registaram aumentos, nomeadamente furtos em veículos motorizados, que passaram de 280 para 326 (+16,43%), e furtos em depósitos e máquinas agrícolas ou industriais, de 259 para 290 (+11,97%). Este último tipo de crime assume particular relevância em regiões com forte atividade agrícola e industrial, como o Alto Minho, onde a dispersão geográfica e a menor vigilância facilitam a ação criminosa.

Apesar da ligeira descida no número de crimes, aumentou o número de suspeitos identificados pela GNR, passando de 561 em 2024 para 599 em 2025.

Este crescimento está sobretudo associado aos furtos em depósitos e maquinaria, que também registaram um aumento nas detenções, de 10 para 19 casos.

Além de Viana do Castelo, destacam-se subidas em distritos como Castelo Branco, Santarém e Leiria, bem como variações percentuais elevadas em Bragança e Guarda.

A GNR sublinha que esta realidade “exige uma resposta diferenciada” e ajustada às especificidades de cada território.

Perante a evolução deste tipo de criminalidade, a GNR apela à adoção de medidas preventivas, sobretudo em contextos mais vulneráveis. Entre as recomendações, destacam-se evitar deixar máquinas agrícolas em locais isolados ou sem iluminação, reforçar sistemas de videovigilância em postos de abastecimento, privilegiar parques vigiados para frotas e transportadores e instalar dispositivos de segurança nos depósitos.

A força de segurança lembra ainda que “a prevenção constitui um elemento essencial”, apelando à colaboração dos cidadãos na denúncia de situações suspeitas.

Tags Economia

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