Engraçado, mas…

Nuno Lemos
26 Fev. 2026 2 mins
Nuno Lemos

Nas últimas semanas, tornou-se viral, a partilha nas redes sociais, de fotografias pessoais transformadas em caricaturas através de ferramentas de Inteligência Artificial. À primeira vista, é algo leve, divertido e até criativo, mas, vale a pena perceber o que está realmente em causa.

Quando carregamos uma fotografia nossa numa plataforma digital, estamos a disponibilizar muito mais do que uma simples imagem. Uma fotografia contém o nosso rosto, as nossas expressões, o contexto em que nos encontramos. Ao submeter essas imagens a sistemas de Inteligência Artificial, estamos a permitir que essa informação seja processada, analisada e, em alguns casos, armazenada.

Mas qual a diferença entre publicar numa rede social e submeter uma imagem a uma plataforma de Inteligência Artificial?

Existem diferenças importantes (pelo menos em teoria). Nas redes sociais, como o Facebook ou o Instagram, os utilizadores dispõem, em regra, de definições de privacidade que permitem controlar quem pode ver os seus conteúdos. Além disso, estas plataformas, que pertencentes à Meta, afirmam não utilizar conteúdos privados – como mensagens ou publicações partilhadas apenas com um público restrito (por exemplo, “apenas amigos”) – para treinar os seus sistemas de Inteligência Artificial. Ainda assim, importa ter em atenção ao que é partilhado publicamente, uma vez que esse tipo de conteúdo pode ser utilizado para esse fim.

Já no caso de muitas plataformas de Inteligência Artificial (sobretudo as menos conhecidas) o cenário pode ser diferente. Nem sempre é claro o que acontece às imagens depois de serem carregadas. Podem ser armazenadas internamente, reutilizadas para melhorar algoritmos ou até integradas em bases de dados de treino. A transparência varia bastante e os termos e condições, onde esta informação costuma constar, são frequentemente extensos e difíceis de interpretar.

Isto não significa que qualquer utilização destas ferramentas seja automaticamente perigosa. Mas significa que não é neutra. Cada fotografia submetida contribui para alimentar um sistema cujo funcionamento e as finalidades nem sempre dominamos.

Num mundo cada vez mais digital, é importante refletirmos sobre a forma como usamos a tecnologia e o que estamos a ceder em troca.

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