Diretor de Medicina Crítica demite‑se na ULS do Alto Minho com acusações de “desrespeito institucional” e falta de alinhamento estratégico

O diretor do Departamento de Medicina Crítica (DMC) da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), Pedro Moura, apresentou a demissão do cargo, acusando a direção clínica e o conselho de administração de bloquearem o seu projeto e de repetidos episódios de “desrespeito institucional”. A decisão, com efeitos a partir de segunda-feira, foi comunicada internamente na semana passada.

Notícias de Viana
18 Fev. 2026 3 mins
Médicos da ULSAM já aderiram à dedicação plena

Em carta enviada à administração e aos profissionais de saúde, Pedro Moura acusa a direção clínica de não acolher projetos que considerava cruciais para a melhoria do funcionamento do departamento, de ignorar pedidos de “feedback” e de tomar decisões sem o seu envolvimento.

“Falta de alinhamento estratégico” e “múltiplas situações de desrespeito institucional” estão na base da decisão, escreve o médico, que lamenta ter sido deixado “sem resposta a dezenas de e‑mails” e excluído de iniciativas como a proposta de um Centro de Responsabilidade Integrado (CRI) para o doente crítico, a reestruturação do Serviço de Urgência (SU) e do Serviço de Medicina Intensiva (SMI), ou a aplicação de inteligência artificial no DMC.

Segundo Pedro Moura, o projeto que pretendia implementar começou a ser minado no verão de 2025, quando a então diretora do SU foi substituída por uma pessoa próxima da direção clínica. Na sua perspetiva, esta alteração fragilizou “o circuito do doente crítico”, um elemento essencial para a qualidade dos cuidados e para a formação de novos especialistas.

O médico acrescenta que, em novembro, a demissão do diretor do SMI, supostamente pela falta de apoio da administração, terá criado uma “crise inaceitável” num serviço que estava estabilizado há cerca de um ano e meio.

O ponto de ruptura ocorreu este mês com a nomeação, sem o seu conhecimento prévio, de outro profissional para a direção do SMI, “com um projeto diferente” do que defendia. “Fui informado apenas pela circular 17/2026, sem nenhum contato do júri por telefone, e‑mail ou sequer publicação no portal de concursos da ULSAM”, sublinha Pedro Moura.

Com 28 anos de serviço no Hospital de Santa Luzia de Viana do Castelo, o médico defende o seu percurso profissional, afirmando que sempre pautou a sua atividade “pela urbanidade e respeito por todos” e negando que a sua saída decorra de falta de compromisso com a instituição.

A administração da ULSAM limitou-se a confirmar a aceitação da renúncia, agradecendo a Pedro Moura “o trabalho desenvolvido no exercício das suas funções” e garantindo que “o funcionamento do departamento está assegurado” e que se mantém a normal prestação de cuidados aos utentes.

c/ Lusa

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