A “Vila” de Vila de Punhe: mais do que um título, um reconhecimento coletivo

Tiago Manuel Rego
19 Fev. 2026 4 mins

Um território afirma-se pela sua beleza patrimonial e natural, mas, acima de tudo, pelas pessoas e pelo dinamismo que estas lhe conferem. É assim em Vila de Punhe, uma freguesia do Vale do Neiva, em Viana do Castelo, que tem sabido respeitar o seu passado e projetar o futuro coletivo de uma comunidade rica em sonhos e ações geradoras de uma força motriz que tem moldado, envolvido e contagiado a região.

Esta riqueza, que nasce no saber ancestral de quem lá vive e se repercute nas inúmeras atividades que as diversas entidades, associações e coletividades levam a cabo ao longo do ano, é um carimbo que distingue esta povoação que agora almeja ser mais.

A conquista do título de vila não deixa de ser sui generis para uma freguesia que já incorpora no seu nome de batismo a palavra “Vila”, mesmo antes da fundação da nacionalidade, com origem na povoação romana de “Villa de Punia”, o que demonstra que não é a designação formal que importa a quem lá vive. Diria que esta é, acima de tudo, uma aspiração assente em três princípios.

O primeiro é o orgulho. Se há território que não se resigna perante os sucessos alcançados e que já são bastantes, é esta freguesia que agora quer ser vila, sem arrogância, mas também sem falsas modéstias.

A autossuperação coletiva é outro desígnio para esta caminhada, que em momento algum surge por vontade de competir com as freguesias vizinhas ou outras comunidades. Antes pelo contrário, nasce da vontade das pessoas de quererem ser melhores do que foram ontem.

A afirmação identitária e civilizacional constitui o terceiro princípio que sustenta esta ambição. A elevação a vila representa o reconhecimento formal de um percurso de crescimento social, educativo, cultural, associativo, desportivo, recreativo e humano que se consolidou ao longo das últimas décadas. Não se trata de um gesto simbólico vazio, mas da consagração de uma maturidade coletiva, de uma capacidade organizativa e de um sentido de pertença que projetam Vila de Punhe como uma comunidade estruturada, dinâmica e preparada para os desafios do futuro.

Entre muitos outros, acredito que estes sejam alguns dos motivos que levaram quem lidera a querer condecorar todas e todos os que por lá vivem com esta distinção, atribuída pela mais alta instância do poder popular, a Assembleia da República. Pois o crescimento consistente e equilibrado de Vila de Punhe não aconteceu por acaso. Foi fruto de trabalho voluntário, de dedicação associativa, do espírito empreendedor e do compromisso com o bem comum. Foi construído por quem lidera, por quem investe, por quem ensina, por quem treina equipas, por quem organiza festas e eventos, por quem participa. A elevação a vila é, acima de tudo, um tributo a esse esforço coletivo.

A prosperidade desta terra de ilustres canteiros também se sente nas boas infraestruturas que ligam o lugar de Milhões às Neves, na dinâmica das associações que preservam e celebram as crenças e tradições e promovem o potencial desportivo, cultural e recreativo, nos recantos naturais e no património histórico, em Arques com o Forno Comunitário, nos Regos com o Moinho do Inácio ou no Castro de Roques com a citânia. Sente-se também nas vibrantes Festas de Santa Eulália e das Neves e no emblemático Auto da Floripes que, apesar do desfecho sobejamente conhecido, é um talismã que atrai multidões a cada 5 de agosto. As respostas sociais e educativas completam este quadro de uma freguesia cheia, com uma comunidade que participa e contribui com sentido de missão para as soluções.

Elevar Vila de Punhe a vila é, assim, um ato de autoestima coletiva. É dizer às gerações mais novas que vale a pena participar, que o envolvimento cívico tem impacto, que o desenvolvimento é possível quando há união. É reforçar o sentimento de pertença e consolidar uma identidade que já existe na prática.

Por tudo isto, este título não será nunca um fim em si mesmo. Enquanto membro desta comunidade, acredito que será antes um estímulo para fazermos ainda mais e melhor pela nossa terra e pelas nossas gentes, porque é em comunidade que sabemos estar e viver.

Ser vila não nos tornará diferentes na essência. Continuaremos a ser o que sempre fomos, mas dará um nome formal àquilo que já somos no coração.

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