De 7 a 12 de julho, cinco municípios do Vale do Minho vão ser palco de uma experiência de criação musical orientada por músicos como Noiserv e Beatriz Rola. É o regresso do ATLAS, o projeto de formação artística da companhia de teatro Comédias do Minho. Mas este é, apenas, um dos muitos capítulos de uma estrutura cultural rara no país, em que há uma relação próxima e genuína com as comunidades locais.
Mais que uma atividade de verão, o projeto ATLAS – Oficinas de Formação Artística é um exemplo da forma como a Comédias do Minho tem vindo a posicionar-se no território: com uma presença contínua, atenta, e comprometida com o acesso à criação artística para todos, sobretudo os mais novos.
Este compromisso materializa-se no projeto pedagógico, um dos seus “eixos de excelência”. À frente dele está Alice Silva, que integra a equipa desde 2013. Chegou de Paredes (Porto) para Paredes de Coura, e nunca mais saiu. “Quando cheguei, não tinha noção desta abrangência territorial e não estou a falar só de território terra, estou a falar em território humano”, confidenciou, afirmando: “Somos mediadores no território. Não somos uma casa que acolhe espetáculos, onde as pessoas entram e saem. As pessoas estabelecem relação connosco.”
Todos os anos letivos, a equipa da Comédias desenha uma programação dedicada às diferentes idades da comunidade escolar: espetáculos, oficinas, projetos de cocriação e formação para professores e assistentes operacionais. Desde o pré-escolar ao secundário, milhares de crianças têm contacto com o teatro, a música ou a dança. Muitas vezes pela primeira vez. “Aproximamos as crianças e as famílias de projetos artísticos e culturais que possam acrescentar valor à sua aprendizagem, para além da aprendizagem formal que acontece em contexto escolar”, sublinha.
A Comédias do Minho é uma estrutura cultural intermunicipal que junta cinco Câmaras Municipais: Melgaço, Monção, Valença, Vila Nova de Cerveira e Paredes de Coura. Um modelo raro e resistente. “Quando muda um presidente de Câmara, não se tem colocado em causa a importância do projeto. Isso nunca aconteceu. E espero que não aconteça, porque este projeto é absolutamente essencial neste território”, assegura a responsável, considerando-o “essencial” porque o acesso à cultura ainda continua a ser desigual. “Se não fosse o projeto Comédias do Minho, tenho a certeza de que as senhoras de Castro Laboreiro nunca teriam acesso a teatro, música ou dança, porque vamos ao encontro das pessoas. As pessoas não vêm até nós. Esta é a premissa que se mantém”, exemplifica.
Hoje, há grupos de teatro amador em todos os municípios, coordenados por artistas residentes. Os técnicos dos equipamentos culturais locais recebem formação “contínua”. E crianças e jovens, e até mesmo os professores, são parceiros regulares, exigentes, curiosos e críticos. “Os espetáculos para crianças têm sido muito procurados pelos adultos e os professores também procuram mais formação prática, levando est
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